Segundo levantamento feito pelo Globo, o governo Bolsonaro já autorizou, desde 2019, saques extraordinários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em pelo menos R$ 123,7 bilhões, O montante equivale a 20% do saldo total do Fundo, que hoje está em torno de R$ 605 bilhões.

“Isso ajuda a esvaziar o Fundo, pois com estes saques a saída de dinheiro é maior do que as contribuições. Cria uma situação de perda de recursos, e o Governo se vale de um recurso que não deveria para tentar melhorar sua popularidade”, explica Clóvis Scherer, economista do Dieese.

O saque do Fundo de Garantia fora das condições previstas, como para financiar casa própria, demissão sem justa causa ou doença grave, foi autorizada pela primeira vez em 2017, no governo do ex-presidente Michel Temer. Jair Bolsonaro acelerou a estratégia, com saques extraordinários em 2019, 2020 e agora em 2022. Ele também criou a modalidade do saque aniversário.

A última autorização foi de saques de até R$ 1.000,00 e a possibilidade de mulheres pagarem cursos profissionalizantes e creches para filhos com recursos de suas contas no FGTS. “Isso é usar o dinheiro do trabalhador para resolver problemas do próprio Governo. Depois, em uma possível necessidade, esse valor pode fazer falta”, afirma Clóvis Scherer.

Economia – As medidas foram anunciadas neste ano eleitoral, como uma forma de o governo injetar recursos na economia. A previsão deste ano é de crescimento menor do que 1%. O governo Bolsonaro foi o que mais usou recursos do FGTS para estímulos econômicos e sociais, e o avanço sobre o Fundo de Garantia deve aumentar.

Habitação – O uso recorrente dos recursos do FGTS reduz a disponibilidade do Fundo para o financiamento habitacional, o que dificulta os negócios das empresas do setor. Isso tende a agravar o déficit habitacional, sobretudo nas famílias de baixa renda.

MAIS – Acesse a página do FGTS no site da Caixa.

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