22.4 C
São Paulo
quinta-feira, 19/03/2026

13 de julho: data fatídica – Vargas Netto

Data:

Compartilhe:

São quatro anos cravados desde a promulgação da deforma trabalhista (lei nº 13.467/17) que, precedida pela terceirização (lei nº 13.429/17) provocou a maior desorganização nas relações do trabalho no Brasil e enfraqueceu de maneira criminosa a representação sindical dos trabalhadores.

Todas as justificativas para a adoção destas malfeitorias aprovadas nas votações do Congresso Nacional caíram por terra nestes quatro anos.

O desemprego que era alto cresceu mais ainda (antes mesmo da pandemia) e tornou-se, hoje, endêmico e disfuncional com o próprio crescimento econômico que não passa de vôo de galinha.

A alegada modernização das relações trabalhistas precarizou, pejotizou e uberizou os vínculos do trabalho, em detrimento dos salários, da qualificação e da organização coletiva dos trabalhadores.

A própria Justiça do Trabalho teve diminuído o seu papel de intermediação e normatização trabalhistas. A insegurança jurídica aumentou, enquanto limitou-se a possibilidade de acesso dos trabalhadores ao recurso jurisdicional, que é ameaçado de extinção.

A capacidade de negociação dos sindicatos e de representação por eles dos trabalhadores sofreu um golpe quase mortal, com a severa perda de receitas das entidades e bloqueio eficiente da negociação coletiva, substituída pelo embate entre as empresas e os trabalhadores individuais.

Exceto para os exploradores grandes e pequenos os efeitos da deforma foram negativos, potencializados ainda mais pela administração Bolsonaro que, como primeiro ato, extinguiu o próprio ministério do Trabalho. A pandemia que veio a seguir criou ainda mais dificuldades à ação sindical dos trabalhadores.

O balanço destes quatro anos, completados em 13 de julho, é trágico e coloca o movimento sindical brasileiro e os trabalhadores em uma situação de defensiva estratégica lutando, mais que pela relevância, pela sobrevivência.

João Guilherme Vargas Netto – Consultor sindical e membro do Diap.

Clique aqui e leia mais opiniões

João Guilherme
João Guilherme
Consultor sindical e membro do Diap. E-mail joguvane@uol.co.br

Conteúdo Relacionado

Ciclo positivo

O cidadão tem o justo direito de reclamar do mau gestor, seja o prefeito, o governador ou o presidente da República. O movimento sindical...

Escala 6×1: a economia avança, quando direitos avançam

A escala 6×1 é um modelo de trabalho esgotado. Insistir neste em pleno século 21 não é apenas atraso. É escolha política que naturaliza...

Reduzir a jornada de trabalho é sinônimo de maturidade política

A redução da jornada de trabalho volta ao centro do debate público brasileiro em um momento decisivo, o que é muito bom! O país...

Fortalecer a Fenepospetro

A história de organização, resistência e conquistas da categoria dos frentistas no Brasil não aconteceu por acaso.Cada espaço conquistado, cada direito garantido e cada...

Um Brasil feminino

Domingo, dia 8, celebramos o Dia Internacional da Mulher. A data tem origem sindical, mas a questão feminina diz respeito a todos os setores...