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2010 é o ano das mulheres

No dia 8 de março, celebra-se o centenário do Dia Internacional da Mulher, 100 anos que marcam no calendário mundial a luta contra as desigualdades, a exploração e a violência contra as mulheres em todo mundo. É importante conhecer a história para que possamos compreender o nosso presente. O dia 8 de março não foi escolhido aleatoriamente no calendário, bem como a cor lilás não está relacionada às mulheres por ser delicada ou singela. No ano de 1857, em Nova Yorque (EUA), operárias tecelãs organizaram-se reivindicando o direito à redução da jornada de trabalho e melhores condições de trabalho. Durante a greve, o edifício onde elas estavam foi incendiado e dezenas de mulheres morreram de forma trágica. Em homenagem à luta destas trabalhadoras, a ativista pelos direitos femininos, Clara Zetkin, propôs durante a II Conferência de Mulheres, realizada em 1910 na Dinamarca, que o dia 8 de março fosse declarado como o Dia Internacional da Mulher e a cor lilás fosse adotada como o símbolo do movimento feminista.

E, no ano que se celebra “100 anos de lutas por igualdade”, novamente a bandeira da redução da jornada semanal de trabalho, sem redução no salário, está no centro das reivindicações da classe trabalhadora. Defendemos a jornada de 40 horas (hoje a jornada oficial no País é 44 horas) porque, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida, em razão de que o trabalhador e a trabalhadora terão mais tempo ao lazer, ao estudo/qualificação profissional e à saúde, a medida também acarretará na geração de cerca de dois milhões de novos postos de trabalho, segundo estudos elaborados pelo Dieese. 

Todo o movimento sindical, em especial a CUT, está engajado nesta importante luta, que depende de aprovação na Câmara dos Deputados, para se transformar em lei no nosso País. No dia 1º de junho, as entidades sindicais já aprovaram a realização de um Dia Nacional de Lutas em defesa da jornada de 40 horas, sem redução no salário, que também definirá uma pauta de reivindicações gerais que será entregue aos candidatos que concorrerão à presidência da República.

Este é outro momento importante na história do nosso País. Nestas eleições estarão em disputa dois projetos antagônicos: de um lado, propostas que nos levarão certamente ao atraso, ao retrocesso, ao Estado mínimo e ausência de políticas públicas de distribuição de renda e valorização do ser humano; de outro lado, o projeto que amplia os avanços conquistados pelo povo brasileiro durante o governo Lula, como o Bolsa-Família o Pró-Uni, a valorização do salário mínimo, os conselhos e conferências populares, espaços de debate e construção de um novo País, mais democrático e justo.

Estes projetos, repito antagônicos, estarão colocados na mesa. Os brasileiros e, principalmente as brasileiras, definirão o futuro de todos nós em outubro próximo e o que está em jogo não é apenas a sucessão presidencial, mas sim a política do Estado Brasileiro. De um lado, a volta da concentração de renda, da subserviência e da miséria; do outro lado, nós, homens e mulheres que ousaram realizar um sonho, um sonho de um Brasil mais justo, soberano e fraterno. Um Brasil de mulheres corajosas, como a ministra Dilma Rousseff, que nos fazem acreditar mais na humanidade e na felicidade como um direito de todos e todas. A luta continua!

Carlos Grana é presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT

Carlos Grana é presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT