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A revista Exame, de 27 de janeiro, publicou uma grande matéria sobre o salário mínimo, demonstrando como a política de aumento acima da inflação nos últimos anos o fez atingir o maior patamar da história aumentando o consumo dos trabalhadores e aposentados pobres. Além do gráfico que ilustra a evolução do salário mínimo e indica que o valor de R$ 510 vigente é o mais alto desde 1940, a reportagem indica quantas cestas básicas é possível comprar com ele (0,97 em janeiro/2003 e 1,81 em janeiro/2010, por exemplo). Estes ganhos são diretamente apropriados por 26 milhões de pessoas, entre trabalhadores da ativa (8,7 milhões) e aposentados (17,2 milhões), segundo a revista. Imediatamente após a matéria há a coluna de J.R. Guzzo, diretor editorial da revista, com o sugestivo título “a razão, afinal, venceu”. O jornalista escreve, com todas as letras, que “durante décadas ouvimos dizer que os salários não poderiam aumentar sem trazer o caos na economia. Mas eis que o valor do mínimo bate recorde e a inflação só cai”. Mesmo comentando que um mínimo de R$ 510 (US$ 300) é equivalente a 1/6 do mínimo legal vigente nas principais economias da Europa, Guzzo afirma que “o problema, enfim, está sendo resolvido. Já é um feito a comemorar”. A única grande falha da reportagem e da coluna é que se comemora o milagre, mas se omite o santo. A unidade das Centrais Sindicais em torno do objetivo de aumentar o valor do mínimo e a persistência com que perseguiram este objetivo (ano passado, por exemplo, em fevereiro garantindo 12,05% de aumento em plena histeria da crise) não são reconhecidas. E mereciam ter sido, dadas a qualidade da matéria e da coluna. Os avanços do salário mínimo têm garantido as maiores vitórias sindicais dos trabalhadores brasileiros. Alicerçadas nas iniciativas positivas e anticíclicas do governo e principalmente do presidente Lula, as Centrais, assumindo o protagonismo da luta pelo salário mínimo, confirmam seu grande papel social e uma concepção sindical generosa e não corporativa. O salário mínimo é o Piso salarial nacional de todos aqueles trabalhadores e aposentados que não participam ativamente da vida sindical, através de Sindicatos de categorias organizadas e fortes, que têm Pisos profissionais superiores ao mínimo. Ao se orgulharem de seu papel na luta pelo mínimo, o “feito a comemorar”, as Centrais demonstram, na unidade, sua preocupação e atuação sociais amplas. É hora de o Supremo Tribunal Federal reconhecer isto! João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor de diversas entidades sindicais |
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