![]() |
|
Estes inícios de 2010 estão muito diferentes dos inícios de 2009. Para quem se lembra, vivíamos as agudas dificuldades da crise externa que se abateu sobre nossa economia e nossa sociedade com apavorantes notícias diárias sobre demissões e colapso do desenvolvimento. Mas enfrentamos a crise com mobilização, acerto estratégico e unidade de ação e viramos o jogo. Hoje posso selecionar duas notícias, aparentemente díspares e que dão todo o sentido ao otimismo do movimento sindical dos trabalhadores e orientam nossas iniciativas nos inícios de 2010. A primeira delas, cuja origem é o Dieese, informa que durante o ano passado o custo da cesta básica caiu em 16 das 17 capitais de estados pesquisadas (só não caiu em Belém). Em São Paulo, por exemplo, a despesa com a cesta básica passou a equivaler a menos da metade do salário mínimo e isto acontece pela primeira vez desde 1972. Este resultado é decorrente da política governamental de valorização do salário mínimo, conquista unitária do movimento sindical e resultado efetivo das seis marchas à Brasília com esta reivindicação. O reajuste de 12,05% do salário mínimo em fevereiro de 2009, em plena crise, foi a maior vitória dos trabalhadores no ano passado e um poderoso antídoto à crise. A outra notícia, cuja origem é a Fiesp, informa que as empresas planejam ampliar a produção em ritmo superior às contratações, aumentando a produtividade que havia caído 4,1% em 2009 durante a crise. Segundo os empresários, o emprego industrial só deve recuperar o nível anterior à crise no segundo semestre de 2010; há, portanto, uma grande necessidade de ampliar os ritmos das contratações acelerando o processo de crescimento. Se combinarmos as duas notícias compreendemos claramente a possibilidade e a necessidade da redução da jornada de trabalho, sem redução de salário. A vitória do salário mínimo nos dá a garantia de que é possível vencer, com benefícios para todos. O crescimento da produtividade nos informa sobre a necessidade da redução, para aumentar o emprego, sem prejuízo da competitividade. Como disse o Paulinho da Força: “Como a produtividade vai crescer muito podemos garantir grandes aumentos de salário (como garantimos o aumento do salário mínimo) e obter conquistas inéditas, como a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Vamos lutar, juntos, para isto”. João Guilherme V. Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores |
João Guilherme V. Netto |
![]() |