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O lamentável cenário
da Capital Federal

A população do Distrito Federal e de todo o Brasil está perplexa com os atuais acontecimentos locais. A partir de denúncias feitas pelo secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, a Polícia Federal deu início, no dia 27 de novembro, à operação “Caixa de Pandora”, organizada para apurar denúncias de arrecadação e recebimento de propina no governo do Distrito Federal. Até agora, a PF apreendeu mais de R$ 760 mil em buscas realizadas em Brasília, Goiânia e Minas Gerais.

O esquema, que envolve parlamentares, empresários, secretários do governo local, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Octávio, consistia em distribuir uma mesada para deputados distritais e recursos para empresários, secretários do governo e dívidas pessoais do governador do DF. O dinheiro era garantido através de contratos superfaturados com empresas.

Arruda e seus aliados ainda tentaram explicar a movimentação ilícita de dinheiro justificando que o montante era destinado à compra de panetones a famílias carentes. Depois, a informação foi de que a verba seria destinada a obras sociais. Por último, a informação foi de que o dinheiro era para campanha eleitoral.

Segundo Durval Barbosa, o esquema de desvio de recursos e pagamento de aliados políticos começou ainda no governo anterior, de Joaquim Roriz. O ex-secretário de Relações Institucionais do GDF também foi presidente da Codeplan durante o governo Roriz. A denúncia foi feita em contrapartida da redução de pena em caso de condenação do ex-secretário, que tem mais de 30 processos na Justiça.

Indignação

Enquanto os aliados ao governo distrital engordam bolsas, paletós e até meias com o dinheiro público – imagens publicadas em nível nacional por TVs e jornais – os cidadãos da Capital Federal continuam esperando em filas quilométricas para serem atendidos pelo sistema público de saúde; cidades do entorno são tidas como as mais perigosas do Brasil; e o sistema de transporte coletivo oferecido é o pior de todo o País, segundo apontam pesquisas.

Para lutar pela dignidade do Distrito Federal e de sua população, parlamentares, movimentos de vários segmentos que representam a sociedade civil, outras Centrais Sindicais e a população em geral, convocados pela CUT-DF, se uniram e formaram um grupo que recebeu o nome de “Movimento contra a corrupção”.

O grupo é responsável por coordenar as ações que pressionarão pelo impeachment do governador Arruda e de seu vice e pela punição de todos os envolvidos no escândalo de arrecadação e pagamento de propina no governo local.

Passado e presente

Em 2001, o então senador José Roberto Arruda renunciou ao cargo depois de assumir o envolvimento na violação do painel do Senado após a votação da cassação do ex-senador Luiz Estevão.

O primeiro discurso de Arruda foi em sua defesa, quando o então Senador chegou a chorar em plenário. Com as evidências do caso, Arruda voltou atrás e resolveu assumir o envolvimento no caso para não correr o risco de ser cassado.

Rejane Pitanga é presidente da CUT-DF

Rejane Pitanga é presidente da CUT-DF