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Emprego lá e cá

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alarma o mundo civilizado, com a previsão que a situação do emprego formal deve se deteriorar – mais, ainda! – em 2010, especialmente nos países desenvolvidos.

Numa análise sumária, a crise econômica mundial, desencadeada ao final de 2007, já deixou pelo menos 39 milhões de desempregados, no mundo todo. Com isto, foi alcançado o maior nível de desocupação da população economicamente ativa de todos os tempos, com mais de 220 milhões de pessoas sem trabalho.

Para a entidade, não há esperança que a recuperação da economia venha dos países do G-8, que representam 55% da produção global.

Já a China, a Índia e o Brasil, responsáveis por 19% de toda a produção mundial, devem ter expressivo crescimento econômico em 2010, nas previsões da OIT. Outros países em desenvolvimento seguirão sem condições de se recuperar totalmente do baque da crise.

Acompanhando o previsto em Genebra, o nível de desemprego norte-americano voltou a se elevar em outubro, atingindo 10,2%, com mais 190 mil pessoas retiradas do mercado formal de trabalho.

Os americanos perdem empregos há 22 meses consecutivos e o governo Obama não encontra soluções imediatas para contornar a crise.

A recessão já desempregou 8,2 milhões de pessoas nos EUA desde dezembro de 2007, contabilizando-se, atualmente 15,7 milhões de cidadãos fora do mercado formal.

Já aqui no Brasil, a recuperação do mercado formal, por incrível que pareça, vai de vento em popa. Só em outubro, foram criadas e ocupadas 230.956 vagas, o que representa, no acumulado do ano, mais 1.163.607 novos postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O Ministério do Trabalho e Emprego acrescenta que, pelo terceiro mês consecutivo, o número de empregos com Carteira assinada superou a marca de 200 mil. O desempenho foi recorde em cinco dos oito setores da atividade econômica, com destaque para a indústria de transformação, que gerou 74.552 novos postos.

Com ufanismo contido, percebemos que o quadro geral repercute favoravelmente inclusive na arrecadação previdenciária, única dentre as diversas receitas arrecadadas e administradas pela União que se manteve em crescimento ao longo dos últimos meses.

Aparentemente, as inúmeras iniciativas governamentais de incentivo setorial e desoneração tributária, efetivamente lograram efeito, mantendo os níveis de compra e os patamares de empregabilidade.

É óbvio que devem seguir incentivadas, no Brasil e no mundo, as políticas de estímulo ao consumo privado, que representa 75% do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países, pois estas podem ser as principais propulsoras da recuperação mundial. Mas, por enquanto, o alarme da OIT não tocou na Esplanada dos Ministérios. Oxalá siga assim!

Vilson Romero é jornalista e diretor da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social. E-mail: vilsonromero@yahoo.com.br

 

 

 


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ilson Romero é jornalista e diretor da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social

vilsonromero@yahoo.com.br