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Não temos o direito de ter ilusões: a opção em Cuba é o regime urdido pela revolução de Fidel ou a volta ao status de colônia norte-americana, com o agravante de que o retorno dos Estados Unidos à ilha traria, como uma espécie de lixo tóxico, toda a máfia de anticastristas baseada em Miami e amamentada, esses anos todos, pelo leite da CIA. Fidel é um herói moderno: lutou, foi ferido, foi derrotado, fugiu para o exílio, reorganizou seus homens, recuperou-se e, pelo mar, voltou para fustigar o ditador Batista e colocar um grupo de jovens revolucionários no poder, confrontando a maior potência do mundo, a poucas milhas de Cuba. Como os heróis de verdade, uma das marcas de Fidel é a obstinação. E, como líder real que é, o seu método sempre foi conceder na tática para não comprometer a estratégia. Vale registrar que, desde sua recuperação após o assalto frustrado ao quartel de Moncada, ele teve a sabedoria de manter um núcleo coeso e em torno dele agregar apoios de todos os matizes políticos, inclusive os velhos comunistas cubanos com quem Fidel – e seu grupo – não tinha maiores ligações. Engana-se quem pensa que o sentimento anti-EUA é manobra tática para manter acesa a chama nacionalista na ilha. Na verdade, desde os anos 50, em suas posições e em documentos políticos, Fidel sempre deixou marcada sua posição de nenhuma concessão ao império (como mostra Marta Harnecker em seu livro Fidel, A Estratégia Política da Vitória – editora Expressão Popular). Boa parte da esquerda já perdeu as ilusões com Cuba (isso ocorre com quem se ilude na política, território do pragmatismo). O país enfrenta graves problemas econômicos e o regime não tem mais o fulgor de antigamente. Nesse quadro - dificuldades econômicas e regime sem a velha empolgação - surgem focos de oposição. Num regime democrático, a oposição legitima a situação. Não num regime fechado, como Cuba. Lá, oposição é subversão (alguns são comprovadamente terroristas) e o caminho desse tipo de dissidente quase sempre é o cárcere. Na cadeia, em Cuba, o preso político fica forte (Igreja, ONGs, CIA e outros alimentam a dissidência). Quando um morre, em greve de fome, vira bandeira da dissidência e dos seus aliados. Dissidente preso fica forte. Se eu fosse Fidel, soltaria essa gente, exigindo apenas que arranjassem um trabalho decente. E deixa que façam oposição, protestos e atos. Só não pode deixar conspirarem junto com a CIA. Aí tem de fuzilar! João Franzin é jornalista e assessor sindical |
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