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Numa de suas “Fábulas Fabulosas”, Millor Fernandes conta a crise do leão, que saiu pela floresta perguntando a cada bicho quem era o rei da selva. O macaco, a girafa, o veado, enfim, todos trataram não só de reafirmar a soberania do leão como também de lhe dar uma conveniente puxada de saco. Até que o leão chegou no elefante, quieto em seu canto, e, como dizem os budistas, relembrando seu futuro. Irritado com a pergunta, o elefante pegou o leão com a tromba, girou o bicho no ar e o jogou pra bem longe. Alquebrado com a porrada, o leão não perdeu a pose: – Caramba, toda essa raiva só porque não sabe a resposta! Moral da fábula: não importa o fato e sim a interpretação dialética do fato. É o que está ocorrendo em nosso Estado: a Capital inundada de lixo e sob as águas; cidades do Interior desmoronando; rodovias, com os pedágios mais caros do planeta, tomadas por barreiras, esburacadas e intransitáveis – tudo isso sob uma torrente de propaganda oficial, paga com nosso dinheiro, sobre obras sequer terminadas. É a interpretação dialética dos fatos sob a ótica de Serra. Vejamos, porém, qual será a interpretação da população na eleição de outubro. João Franzin |
João Franzin é jornalista Telefone
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