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Almino crê no assassinato de Jango
Um Almino Afonso coerente, lúcido e elegante, às vésperas do octogésimo aniversário, falou ao Câmera Aberta Sindical, quarta, dia 1º de abril. E o tema, obviamente, foi o golpe de Estado encetado pela reação contra Jango e a democracia, na mesma data, em 1964.
O programa, afora o valor do depoimento, foi uma aula de história, ministrada com saber e, mais importante, compromisso, pois o amazonense de Humaitá e agora cidadão do mundo, dr. Almino, foi um espetáculo de audiência, com participação recorde de telespectadores.
E o que o ex-ministro do Trabalho de Jango fez no programa? Reafirmou princípios, deu sua versão, convincente, dos fatos e fez críticas políticas contundentes, fiel ao seu estilo tribuno.
Fez mais, contou histórias. Por exemplo: lembrou que extinguiu uma Portaria do Ministério, que decretava a ilegalidade do CGT, trazendo, com essa penada, o Comando para a legalidade, gesto repudiado pela reação antipopular e golpista.
Falou de Jango como nosso Presidente mais estreitamente ligado ao movimento sindical e revelou, ao vivo, que, hoje, com base em novos fatos, já não duvida mais da possibilidade de o Presidente ter sido assassinado.
Contou a seguinte história: dias antes de sua morte, Jango enviou emissário a Almino avisando que voltaria ao Brasil. Faria um périplo longo. Passaria pelo Vaticano, se encontraria com o senador Robert Kennedy, nos Estados Unidos, e depois aqui aportaria.
E Almino refletiu: “Se Jango mandou um emissário tratar comigo, certamente fez com mais pessoas de sua confiança e o anúncio do pretendido retorno deve ter vazado.” Experiente homem público, advogado e ex-vice-governador paulista, o dr. Almino crê que esse vazamento, à luz, agora, dos novos fatos, possa ter precipitado a mão assassina da ditadura.
João Franzin
Jornalista e apresentador do Câmera Aberta Sindical |

João Franzin é jornalista
e assessor sindical
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