General inverno de Jair Bolsonaro será a vida real, sinaliza Vargas Netto

• 9/1/2019 - quarta-feira

O inverno rigoroso derrotou as tropas de Napoleão Bonaparte na Rússia, em 1812. Embora estejamos nos Trópicos, o presidente Jair Bolsonaro também enfrentará o seu general. O nome dele é realidade. Ou seja, as demandas por emprego, aposentadoria, salário, serviços públicos de qualidade, segurança, moradia e outros. “Como sempre, o embate será com a vida concreta”, afirma à Agência Sindical o consultor João Guilherme Vargas Netto.

O consultor acaba de publicar o artigo “Lutar com justiça”, onde diz: “Embora ainda esteja no palanque eleitoral das mídias sociais, cada vez mais se aproxima o dia em que pão será pão e queijo será queijo; o governo terá que dizer a que veio, com ações e consequências. Pra cumprir sua pauta econômica neoliberal e conservadora, terá que desagradar milhões de trabalhadores, fazendo-os pagar a conta dos rentistas na Previdência, nos salários e no crédito. Por mais que se empenhe em seu programa desorganizador das relações de trabalho, não criará empregos, em quantidade, nem de qualidade”.

Experiente e vivido analista da cena econômica, política e sindical, João Guilherme diz à Agência Sindical: “A armadilha bolsonarismo e oposição foi o que deu vitória à direita. A contradição real é Bolsonaro versus vida concreta, do desempregado, de quem perderá direitos previdenciários, de quem ficou sem assistência com o desmanche do Mais Médicos, da classe média que cairá no financiamento habitacional a juros de mercado”.
 
Vargas Netto observa que o presidente eleito, maliciosamente, tenta manter a agenda e as discussões que o levaram à vitória. E recomenda sairmos dessa armadilha. Ele comenta, por exemplo, a pouca reação do sindicalismo e de setores da esquerda a agressões ao programa Mais Médicos, ao corte no valor indicado para o salário mínimo e frente ao aumento das passagens de ônibus em São Paulo – mais que o dobro da inflação.

Seu artigo conclui: “A História ensina que quem luta com justiça, com inteligência e com persistência vence”.

Leia o artigo completo “Lutar com justiça”:

"É de grande interesse para os trabalhadores e os dirigentes sindicais compreenderem a contradição entre o bolsonarismo e a realidade, ou seja, a contradição entre as expectativas despertadas no eleitorado e na sociedade por suas promessas e pregações e o que efetivamente fará o governo do capitão.

Embora ainda esteja montado no palanque eleitoral das mídias sociais com seus disse-não-disse e suas provocações, cada vez mais se aproxima o dia em que pão será pão e queijo será queijo; o governo terá que dizer a que veio, com ações e consequências.

Para cumprir sua pauta econômica neoliberal e conservadora, terá que desagradar milhões de trabalhadores, fazendo-os pagar a conta dos rentistas na Previdência, nos salários, no crédito e na qualificação. Por mais que se empenhe em seu programa desorganizador das relações de trabalho, não criará empregos, em quantidade, nem de qualidade.

O silêncio mantido por ele e por seus executores a respeito do vasto mundo do trabalho é tão ensurdecedor que até mesmo a bomba da extinção do Ministério do Trabalho (e da Justiça do Trabalho e da Procuradoria do Trabalho) quase não fez barulho. O ministério, como o jornalista da Arábia Saudita, foi morto e despedaçado, sem que se saiba ao certo onde foram jogados seus restos e para quê.

(Para compreender as intenções do magarefe deve-se ler o artigo do Toninho do Diap, “O esquartejamento do ministério do Trabalho”, recentemente publicado.)

Bem fizeram as seis Centrais Sindicais reconhecidas quando, em carta aberta ao presidente (e aos outros poderes), reafirmaram suas posições de resistência e de relevância institucional, conclamando-o a um diálogo que é contrário à sua experiência e à sua prática e que ele aparenta não querer.

Os dirigentes e os ativistas sindicais de todas as entidades, ao compreender o alcance da contradição entre o bolsonarismo e a realidade devem, com unidade, garantir suas próprias existências, estreitar os laços com os trabalhadores (associados ou não) e indicar-lhes o caminho de resistência.

Por pior que seja a correlação de forças atual, a História ensina que quem luta com justiça, com inteligência e com persistência vence."


João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical e membro do Diap
(Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar)


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