21/12/2018 - O Dieese do futuro

• 21/12/2018 - sexta-feira


Clemente Ganz Lúcio é sociólogo
e diretor-técnico do Dieese.
E-mail:
clemente@dieese.org.br

Preocupada com o futuro, grande parte do País vive um presente denso, por causa do horizonte nebuloso. Esses tempos exigem que se desenvolvam novas propostas, narrativas. A vida não para nem espera. Segue! A luta tem que continuar.

Amanhã, 22 de dezembro, o Dieese completa 63 anos. Ao longo dessa jornada, muitas atribulações, dificuldades, desafios, mas também conquistas, mesmo nos momentos mais adversos. Com o movimento sindical, a entidade trilhou caminhos e batalhas diversas. Resistência e avanços. E o seguir adiante de cada período respondeu, em cada contexto histórico específico, a complexidades e desafios particulares. Estamos vivos! E essa trajetória longa, com seus percalços, gerou vitalidade e a capacidade propositiva que nos fizeram chegar até aqui.

Para seguir, o sexagenário Dieese se coloca hoje diante do desafio de planejar o próprio futuro. Como no passado, será preciso fazer escolhas olhando para frente.

A missão institucional é produzir e aportar conhecimento para a intervenção social dos trabalhadores, para promover, por meio da organização e luta sindical, desde o local de trabalho e em múltiplos espaços, transformações que privilegiem justiça, igualdade, solidariedade, bem-estar, qualidade de vida e equilíbrio ambiental.

Estão em curso profundas transformações patrimoniais e tecnológicas no sistema produtivo capitalista, no Estado e na divisão internacional do trabalho, trazendo mudanças disruptivas no mundo laboral. O futuro antecipa, no presente, paradigmas sobre o trabalho, os trabalhadores e os direitos. A produção e a distribuição econômica e social ganharão novas conformações políticas e culturais. No Brasil que se desenha, essas transformações terão potência maior ainda, em iniciativas, conflitos e contradições, muitas completamente desconhecidas.

O que cabe a nós? Na vida que segue, a luta, sempre!

Os trabalhadores do futuro produzirão todas essas mudanças e tudo estará em disputa, aliás, como sempre esteve. Mobilizar o protagonismo da classe trabalhadora é essencial para disputar as transformações disruptivas e ter outras e novas possibilidades de futuro. O sindicato, como sujeito coletivo, também terá que mudar para se constituir na resposta coetânea às transformações em curso.

O Dieese do futuro deverá prospectar sobre o trabalho do futuro e essas grandes transformações disruptivas, lançando-se como fermento criativo para a invenção e intervenção sindical.

O Dieese do futuro deverá mobilizar seu ativo de credibilidade para aportar racionalidade e diálogo em um mundo de insensatez múltipla.

O Dieese do futuro deverá reinventar sua forma de organização e de financiamento.

O Dieese se lança para o futuro determinado a mudar, a se renovar, animado pelos 63 anos em que travou a boa luta, junto com o movimento sindical e os incontáveis e fraternos amigos com quem compartilha utopias.

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