12/11/2018 - Onde estava Vossa Excelência? - Oswaldo Augusto de Barros

• 12/11/2018 - segunda-feira


Oswaldo Augusto de Barros
é professor e presidente da CNTEEC
(Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Estabelecimentos de Educação e Cultura).
E-mail:
barros2002@terra.com.br

Onde estava Vossa Excelência no dia 3 de setembro de 2013, às 14h38? 

Onde estava Vossa Excelência quando o dia 28 de janeiro passou a ser o “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”, instituído pela Lei 12.064 de 28 de outubro de 2009, pela Câmara dos Deputados? 

Onde estava Vossa Excelência quando foram homenageados, na presença de familiares, os senhores Erastótenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, Auditores Fiscais do Trabalho, e Ailton Pereira de Oliveira, motorista do Ministério do Trabalho, emboscados e brutalmente assassinados por estarem, no exercício de seu trabalho, desmascarando a prática, muita antiga, de Trabalho Escravo no Brasil. 

Será que os familiares desses trabalhadores brasileiros assassinados tiveram os mesmos benefícios que os familiares dos militares, mesmo não estando em combate? 

Excelência, citamos apenas esse caso, mesmo sabendo que a prática continua existindo, onde nem as autoridades são privadas desse sacrifício fatal. 

Teremos que passar por outras chacinas de trabalhadores, para convencê-lo da importância do Ministério do Trabalho para o Brasil ser tratado como “civilizado”? 

Excelência, será que novas famílias deverão ser ceifadas para que sua consciência reflita sobre a inconsequência de determinados empresários inescrupulosos? 

O mundo moderno é por demais dinâmico e isso tem levado a jovens, na angústia de atingir mais em menos tempo, procurar o suicídio, terem depressão e serem tratados como animais em seus ambientes de trabalho. 

Se Vossa Excelência não participou da citada sessão, pelo menos seus bem pagos assessores devem tê-lo alertado do ocorrido e dos riscos que os trabalhadores passaram e passam para alimentar suas famílias. 

Vossa Excelência já tomou conhecimento do Trabalho no Futuro, debate realizado pelo Ministério do Trabalho, visando equalizar melhores condições de vida ao trabalhador dos novos segmentos funcionais? 

Vossa Excelência necessita, antes de cometer o engano de “fechar” o Ministério do Trabalho, conversar com seus funcionários de carreira, concursados há muitos anos, que passaram por dificuldades para cumprir suas missões. Procure os mais competentes, sejam mulheres ou homens, e analise, com a iluminação de Deus, que está presente em sua vida e todos os vossos discursos, o tamanho do erro que estará cometendo. 

Vossa Excelência foi eleito por milhões de trabalhadores, em sua maioria sedentos de honestidade de propósitos. Ao acabar com o Ministério do Trabalho, a balança da Justiça terá apenas um braço; não acreditamos que esse seja o seu pensamento. 

Informações do Ministério do Trabalho apontam que, entre o lançamento do I Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, entre 2003 e julho deste ano, 44.229 trabalhadores foram resgatados de situações em que eram submetidos a condições degradantes. Esses números foram considerados? 

Excelência, o Ministério do Trabalho, junto com a Justiça do Trabalho, tem papel fundamental na solução dos impasses entre capital e trabalho. Use de bom senso, fortaleça essas instituições e estará em busca da solução do maior problema que o Brasil enfrenta, o desemprego. A luta é de todos. O movimento sindical, patronal e laboral, saberá dar o equilíbrio necessário a suas ações. 

Vossa Excelência em breve será o nosso Presidente, e não é com atitudes desse porte que irá unir o Brasil.

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