30/10/2018 - Ao PT e agregados

• 30/10/2018 - terça-feira


João Franzin é jornalista
e diretor da Agência
de Comunicação Sindical.
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br

Ainda que o próprio petismo resista à ideia, fato é que o Partido dos Trabalhadores ocupa junto ao povo aquela senda de esperança aberta por Getúlio na Revolução de 30, ampliada no seu governo até 1954 e depois retomada por Jango e Brizola.

Essa base histórica explica o bom desempenho eleitoral do Partido, apesar do fogo cerrado do campo inimigo, há anos. Um candidato (fraco) como Haddad ter chegado a 45% dos votos é memorável, ainda mais ante o arsenal pesado do adversário.

As eleições mostram enorme resistência do petismo e larga base social - isso tudo sem Lula, metido na cadeia pra não ganhar a eleição.

Mas o PT erra. E onde? Primeiro na arrogância oriunda da sacristia, onde o dogma comanda. Segundo, na pretensão (com água benta, no caso) de querer sempre montar nas demais forças, como se fosse dono natural da hegemonia.

Nos últimos tempos, com a perda (morte, prisões, retração etc.) de quadros qualificados como Gushiken, Marco Aurélio Garcia, Dirceu, Palocci, Genoino, Luiz Dulcci ascenderam conselheiros acácios do fracasso, com táticas erradas e, pelas redes sociais, com entusiasmada difusão de enganos.

Na atual conjuntura, foi fatal ao PT faltar uma voz de comando. Gleisi, convenhamos, é desorientada. Essa voz, por décadas, foi Lula. Partido sem comando é ajuntamento.

Desde sua origem, faltou ao PT capacidade da análise concreta da situação. Erro clamoroso: como um partido que quer ser poder (não só governo) descuidou-se da relação efetiva com as Forças Armadas? O Brasil é o único País das Américas que se formou com uma estrutura militar estável, trazida por D. João VI. De que adiantou a Comissão Nacional da Verdade?

Outra questão é a religiosa. Como não se articular com o segmento protestante, num País em que mais de 35% das pessoas confessam essa fé? Entre os pobres - base histórica do PT - o índice chega a quase 50%. Essa gente pobre e capturada pelo baixo moralismo votou em massa contra o PT, especialmente no Sudeste/Sul.

Por fim: agronegócio. É o setor dinâmico do capitalismo brasileiro, que, entre dez itens principais - e ante os States - domina cinco e disputa um sexto. Como não ter política com esse segmento? Como deixar prevalecer que o Partido apoia invasores de terra contra os ricaços ruralistas, que andam de jatinho? Pra que bater de frente com essa gente conservadora?

Possuo velhas afinidades com o PDT, mas acho que o partido tem fragilidades em cima, embaixo, no meio, atrás, na frente, na cabeça, nos pés. Vejo no PT a força mais viável e capaz de dar voz aos pobres, trabalhadores, excluídos, estudantado, baixa classe média, aposentados/pensionistas - são quase 30 milhões -, academia, artistas etc.

Se eu fosse do partido, retomaria, já, a reconstrução da sua viabilidade política e eleitoral. Começaria pelas periferias das metrópoles, especialmente junto às mulheres pobres, incluindo as evangélicas. E isolaria os bravateiros tipo “não vai ter golpe” (teve); “Fora Temer” (o cara tá lá); “Eleição sem Lula é golpe” (bobajada); e “Fascistas não passarão” (passaram).

O PT fará?

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