26/10/2018 - A questão da Educação - José Pereira dos Santos

• 26/10/2018 - sexta-feira


José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região e Secretário
nacional de Formação da Força Sindical.
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A falta de debate eleitoral impede que vários temas importantes sejam abordados pelos candidatos. Um dos grandes ausentes dessas eleições têm sido justamente a Educação, que deveria ser um assunto prioritário. 

A Educação é importante sempre - antes, durante e depois do processo eleitoral. Aliás, a má qualidade política atual se deve em muito ao fato de que descuidamos da educação em nosso País. 

Tivemos, ao longo dessas décadas, alguns esforços notáveis, mas que não progrediram o suficiente. Cito quatro: os Cieps idealizados por Brizola, o esforço de Fernando Henrique para garantir todas as crianças nos bancos escolares, a formação técnica estimulada pelo governador Geraldo Alckmin e várias iniciativas no governo Lula, de expandir universidades e incentivar a pesquisa. 

Mas não se viu um esforço continuado e nacional, como ocorreu, por exemplo, na Coreia do Sul. Lá, o forte investimento público em Educação ajudou a tirar o País do atraso e a fazer a Coreia merecer o título de tigre asiático. A educação de qualidade e continuada ajuda a formar uma boa elite, nos setores estratégicos nacionais, sem o que não há desenvolvimento e progresso. 

O Brasil precisa decidir se quer ser uma Nação forte, desenvolvida e soberana ou se quer continuar nas bordas da economia mundial, como fornecedor de insumos para os países ricos e de mão de obra barata para os setores secundários, como o de serviços, onde a tecnologia não é tão necessária e os salários são geralmente muito baixos.

Um povo com educação formal possui mais consciência política e coletiva. Portanto, reúne mais condições de resistir a aventuras políticas - à esquerda e à direita. Não foi o que vimos, no Brasil, em anos recentes e menos ainda o que estamos assistindo neste momento de grave disputa eleitoral e radicalização. 

Povos com elevado padrão educacional e cultural costumam ter convicções políticas mais firmes. Porém, já aprenderam que a radicalização não ajuda e que os bons projetos são aqueles que unem, e não os que estimulam a divisão entre amigos, familiares, grupos ou o próprio País. 

O Brasil, vença quem vencer, não pode sair fraturado das urnas. Precisamos, urgentemente, de um pacto nacional, de unidade em prol do desenvolvimento, respeitando as diferenças naturais entre partidos, grupos e lideranças. Esse pacto deve ter alguns pilares e metas. Entre elas, seguramente a boa e continuada educação básica, técnica e superior do nosso povo dentro de uma efetiva política de Estado. 

É muito preocupante a situação brasileira atual. A Educação não resolveria tudo. Mas nos ajudaria a entender, a dialogar e a caminhar pra a frente. 

É o que penso.

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