5/10/2018 - Medo do quê? - Oswaldo Augusto de Barros

• 5/10/2018 - sexta-feira


Oswaldo Augusto de Barros
é professor e presidente da CNTEEC
(Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Estabelecimentos de Educação e Cultura).
E-mail:
barros2002@terra.com.br

Eu não tenho medo de Bolsonaro. Se ele nada produziu de bom em duas décadas de Congresso, não será em quatro anos que destruirá o Brasil.

Eu não tenho medo de Bolsonaro. Se tivesse algo de ruim para apresentar teria feito através de um Plano de Governo e não de Metas, sem o compromisso de solucionar os graves problemas pelos quais o Brasil está passando.

Eu não tenho medo de Bolsonaro. Se armamento pesado resolvesse nossos problemas de segurança, o Rio de Janeiro teria voltado a ser a Cidade Maravilhosa cantada em verso e prosa.

Eu não tenho medo de Bolsonaro. Seus argumentos são tão pífios que nunca conseguiremos saber se ele entendeu qual é o problema que deve ser atacado e qual deve ser apoiado.

Eu não tenho medo de Bolsonaro, pois já está demonstrado que Capitão respeita, embora não goste, da franqueza do General.

Eu me preocupo com o Bolsonaro, que nada diz quanto ao desemprego, apenas afirmando que trabalhadores ganham muito e o empresário está falido.

Eu me preocupo com o Bolsonaro, que no passado recente votou contra o Plano Real e não esclarece como irá administrar a economia e as finanças do País; votou contra o Teto no Serviço Público, para garantir seus aumentos; e votou contra o fim das super aposentadorias dos parlamentares.

Eu me preocupo com o Bolsonaro, que votou contra o fim da pensão das filhas de militares e votou contra o Fundo de Combate à Pobreza, mostrando qual o seu real interesse social.

Eu me preocupo com o Bolsonaro, que votou a favor do aumento dos deputados e também pela terceirização e a favor da Reforma Trabalhista que precariza os salários dos trabalhadores, pra dizer o mínimo.

Eu me preocupo com o Bolsonaro, que votou contra os direitos do trabalhador doméstico, esquecendo-se que eles também são gente e necessitam sustentar suas famílias.

Não vou me preocupar com o que Bolsonaro fala sobre a ideologia de gênero, sobre o que fala dos salários das mulheres ou, até mesmo, sobre o que fala da mulher mãe solteira ou da avó que ajuda a cuidar, com muito carinho e responsabilidade, dos netos que lhes foram confiados.

Eu lamento ver trabalhistas defendendo tudo isso, acreditando que o mundo será melhor com o fim do sindicalismo e dos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores, com uma Carteira Profissional verde e amarela.

Eu lamento ver trabalhistas deixando de se debruçar sobre o que pretende o candidato Bolsonaro para o bem de quem gera a riqueza do País, através de seu esforço e competência, que são os trabalhadores.

E, por fim, tenho medo do que poderá ser o futuro dos meus netos, quando, comparando nosso País com os demais, verificarem que um dia tivemos Direitos Trabalhistas e que para eles sobrou apenas o subemprego.

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