Movimento sindical se mobiliza para rechaçar novo ataque ao 13° salário

• 4/10/2018 - quinta-feira

O movimento sindical reage às falas do general Mourão, vice de Bolsonaro, que atacam um direito em vigor desde 1962 e colocam em risco o pagamento de 13º salário a 83 milhões de brasileiros.

Nota de Repúdio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes questiona: "Vamos entregar o comando do País para essa dupla antissocial, sem noção alguma sobre o que é realmente importante para a retomada do desenvolvimento?".

Mourão é insistente na crítica ao 13º salário e ao abono de férias. Em palestra a dirigentes lojistas de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, dia 26 de setembro, ele já havia afirmado ser o 13º “uma mochila nas costas dos empresários e uma visão social com o chapéu dos outros". Dia 2, ao desembarcar em SP, em Congonhas, o general voltou a criticar os benefícios.


Notas de Repúdio às declarações de Mourão-Bolsonaro circularam na imprensa e redes sociais

Tragédia - O ataque ao 13º gerou indignação nos Metalúrgicos de Guarulhos. Nota da entidade, assinada pelo presidente José Pereira dos Santos afirma: “Fim do 13º salário seria tragédia nacional”.

O texto recorda que o direito tem origem nas lutas sindicais dos anos 40, quando se buscava o abono natalino. O manifesto também alerta para a retração do mercado interno e o aumento do desemprego, “que já é um flagelo social”.

Economista - A Agência Sindical entrevistou Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. Ele comenta: “A rigor, o 13º salário não é um custo adicional para a empresa, porque já está incluído no orçamento. A empresa se programa no início do ano pra esse pagamento”.

Segundo o dirigente, retirar o 13º salário do trabalhador é afetar diretamente a economia. Pedro critica: “O 13º é o sustentáculo das vendas do final de ano. Muitas vezes o trabalhador já consumiu parte dele com o crédito. Mas ele usa, exatamente, pra voltar a ter poder de compra”. Pedro Afonso mensura o impacto nas vendas. Observa: “As vendas do Natal representam 20% do total do volume anual. O 13º é parte integrante das vendas. Além do que gera emprego, no comércio e também na indústria”.

Guarulhos - Walter dos Santos, presidente do Sindicato dos Comerciários de Guarulhos, fala de sua experiência concreta. Ele diz: "O 13º salário é a injeção de ânimo para o trabalhador e também o comerciante. O trabalhador paga dívidas e volta a consumir. O comerciante aumenta as vendas".

Segundo Walter, “o benefício também faz crescer a oferta de empregos porque, se as vendas aumentam, o comércio contrata”. E completa: “Assim é a roda positiva da economia. Se cortar salários e direitos, o trabalhador não gasta, não compra, não consome. Quem perde primeiro é o comércio".

Dieese - Segundo o Dieese, em 2017 o benefício injetou R$ 200 bilhões na economia, por meio do pagamento a mais de 83 milhões de brasileiros.

Mais informações: www.dieese.org.br

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