6/8/2018 - O equilíbrio, decisão das mais difíceis - Oswaldo Augusto de Barros

• 6/8/2018 - segunda-feira


Oswaldo Augusto de Barros é professor
e presidente da CNTEEC
(Confederação Nacional
dos Trabalhadores
em Estabelecimentos
de Educação e Cultura).
E-mail:
barros2002@terra.com.br

Tenho evitado soltar qualquer tipo de posicionamento sobre candidatos, a qualquer que seja o cargo eletivo, pois entendo ser prudente que se aguarde: as falas nas entrevistas, as manifestações públicas, os debates, com jornalistas claramente tendenciosos, e tenho notado que as coisas vão se clareando e aos poucos começamos a entender o porquê desta eleição estar tão difícil de ser decidida.

Vamos imaginar apenas a campanha à presidência da República. Deveríamos ter correntes para a Esquerda, para a Direita, para o Centro, para os radicais, para os menos radicais. Porém, como em todo início de campanha, os índices de popularidade casados com os princípios de cada candidato deveriam mapear um quadro mais transparente, chegando a no máximo cinco candidatos.

Vemos a Direita dividida em “Salvador da Pátria“, cercado do autoritarismo militar e o “chama eu” na figura do tecnocrata que serviu de remendo para planos econômicos que nem sempre deram certo. Um Centrão que já encontrou o seu caminho e que vê dificuldades em adotar princípios de uma só liderança. Moderados que não conseguem se entender, apenas apresentando-se como opção nova, e a incoerência da Esquerda.

Esquerda que estava carcomida pelos desmandos de um governo que quase levou o Brasil à bancarrota e que foi ressuscitada pela incompetência de um Governo Tampão, que sequer conseguiu colocar em prática uma reforma trabalhista que visa não o Trabalho, mas a escravidão; não a qualidade de vida do cidadão, mas a eterna dependência de salários cada vez mais aviltantes e contratações extremamente precárias. Falar mais sobre estes é pura perda de tempo.

E a Esquerda que ressuscitou? É natimorta? Ou será que a manchete dos jornais é que dão o tom da Verdade? “PACTO NACIONAL ENTRE PT E PSB ISOLA CIRO NA DISPUTA PELO PLANALTO”. Nunca tive simpatia por Ciro Gomes, mas, confesso que tem me surpreendido nas suas falas e debates. Talvez o amadurecimento ou, o aconselhamento, tenha melhorado o seu tom. Mas, ser abandonado justamente quando melhor tem se apresentado, é entender que a Esquerda está na UTI.

Em 2018, 27,7 milhões de trabalhadores subutilizados ou desempregados, que correspondem a 24,7% da força de trabalho no País, o maior percentual desde 2012. Apoiar o trabalhador desempregado agrega, nada mais, nada menos, que 24,7% do eleitorado.

O Partido dos Trabalhadores, por suas lideranças, junta-se às do Partido Socialista Brasileiro e abandonam o único candidato, radical opositor da reforma trabalhista aprovada, com possibilidade de crescer nas pesquisas, por imaginar que são os únicos representantes da Esquerda no Brasil.

Cuidado, pensem enquanto há tempo. Podemos estar matando nossos sonhos e ressuscitando quem colocou o atual governo no poder.

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