Uma nova ordem mundial

*Por Ricardo Patah
 

Ricardo Patah é presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo 
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A criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) pelos países que formam o Brics (África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia), durante a Cúpula de Chefes de Governo e de Estado dos Países do BRICS em Fortaleza, traz para o mundo uma nova ordem econômica. Ele nasce com um capital de US$ 50 bilhões e é um passo importante na política e na economia internacional, pois será uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI), criado após a 2ª Guerra Mundial para socorrer países. O peso econômico do NBD é inegável, pois o PIB dos Países que compõem sua direção equivale ao da União Europeia.

Mas é também importante que o NBD não se transforme num FMI, que sufoca os Países por onde passa, deixando um rastro de desemprego, inflação e degradação de vida para os trabalhadores. Por essa razão, com a criação do Brics Sindical, desde já, defendemos que os trabalhadores tenham uma participação ativa na direção do banco, além de oferecerem sugestões para que o Brics não se transforme numa ação mercantilista e de interesse de empresários.

Os países do Brics têm muito em comum. O desempenho econômico, levando-se em consideração a variação do Produto Interno Bruto (PIB), cresce acima do restante do mundo. No entanto, em se tratando da classe trabalhadora eles apresentam um desempenho diferenciado.

Dessa forma, é importante que o Brics Sindical, com seu olhar cidadão, tenha a capacidade de influir nas decisões do bloco, evitando que os trabalhadores fiquem à margem da cidadania. Isso significa exigir empregos de qualidade, o fim da precariedade, do trabalho infantil e que o crescimento econômico contemple também os trabalhadores, principalmente nos Países que terão acesso aos recursos do NBD.

No século XXI, o mundo está passando por rápida mudança em sua geopolítica e os Países que formam o Brics precisam ter um desempenho ativo, como motores do crescimento econômico produzidos com recursos do NBD. Devem ser capazes de reduzir o desequilíbrio no desenvolvimento econômico global e promover a inclusão social.

Portanto, para ser uma nova ordem mundial com foco social e não meramente uma ação mercantilista, é necessário que os Países do Brics, financiado com recursos do NBD avancem nas políticas públicas que favorecem a distribuição de riquezas; a segurança alimentar e energética de nossas nações e que aumentem os esforços conjunto no campo de estudos e pesquisas sobre mercados laborais.

Para que isso seja possível de ser atingido, o Novo Banco de Desenvolvimento terá um papel fundamental, buscando ampliar o investimento no setor produtivo e na infraestrutura.
Isso é necessário porque ainda existem diferenças na classe trabalhadora nos países que formam os Brics. Por essa razão os nossos objetivos não podem ser apenas um sonho.

Eles se transformarão em realidade se todos os esforços no sentido de dialogar e contribuir na consolidação da implantação do NBD sejam implementados e que isso seja capaz de promover, entre os pontos que defendemos, a transição do trabalho na economia informal para a formal, como consta em nossos princípios na Declaração de Fortaleza, divulgada durante a realização do III Fórum do Brics Sindical.

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