12/6/2018 - Consertar a Petrobras e o Brasil - José Pereira dos Santos

• 12/6/2018 - terça-feira


José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
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O controle do petróleo está no centro da luta geopolítica mundial e de recentes guerras. A deposição de presidentes, como Kadafi, na Líbia, e de Saddam Hussein, no Iraque, é resultado dessa luta por petróleo. A crise prolongada na Venezuela, por exemplo, ocorre porque o país tem enormes reservas ainda não exploradas.

Ao descobrir o pré-sal e ingressar, apressadamente, no clube de elite dos produtores, o Brasil atiçou a cobiça mundial e entrou na alça de mira das grandes potências. Ter descoberto essa impressionante reserva foi uma bênção, mas não haver se preparado para o jogo bruto que viria foi uma tragédia.

Dilma caiu por várias razões. Uma delas, certamente, foi por adotar o regime de partilha, que desagrada as petroleiras multinacionais. O poder econômico mundial, que de bobo não tem nada, moveu as peças no tabuleiro e passou a fustigar a Petrobras, cujo ponto franco era o velho costume de lotear politicamente a empresa, gerando corrupção, desvios e outros escândalos.

Era o pretexto. O escândalo virou crise política, a crise política aprofundou a crise econômica, a Petrobras se fragilizou, o governo cedeu às imposições do mercado, o combustível passou a ter aumentos abusivos e chegamos onde chegamos, como a recente paralisação dos caminhoneiros, que quase leva o País ao caos.

Quando se fala em Petrobras é preciso pensar em toda a cadeia produtiva, que vai da bomba no posto ao caminhão-tanque que transporta o combustível, à refinaria, às plataformas, às barcas que transportam o óleo cru, aos poços de petróleo e assim por diante. Nenhum insumo movimenta uma cadeia produtiva tão extensa e complexa.

Nós, de um modo geral, não temos ideia do que é essa empresa criada por Getúlio Vargas em 1953. Mas basta dizer que, no seu auge, a Petrobras impactava até 12% do nosso PIB e era considerada a maior escola de engenharia do mundo, formando profissionais e técnicos em centenas de especialidades.

Recentemente, assistimos a mais um capítulo das tensões permanentes na Petrobras e vimos seu presidente, Pedro Parente, cair. A instabilidade gerada em poucas semanas produziu uma desvalorização brutal nas ações e, portanto, no valor de mercado da empresa. Parente pode ter errado, mas errou ainda mais Michel Temer, com sua política de preços indexada ao dólar, moeda sobre a qual só um país tem controle: os Estados Unidos.

O Brasil precisa de muitos consertos. Mas, sem consertar a Petrobras, a crise vai durar muito mais.

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