14/5/2018 - Sem emprego, sem futuro - José Pereira dos Santos

• 14/5/2018 - segunda-feira


José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
E-mail:
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Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com.br

O que estava ruim piorou. Os três primeiros meses deste ano registraram aumento no desemprego. As vagas criadas, na esmagadora maioria, são informais, ou seja, sem registro em Carteira, sem FGTS, Previdência ou garantias mínimas.

Outra marca desses empregos precários é a baixa remuneração. Os salários pagos aos trabalhadores - formais ou informais - têm ficado, em média, em torno de 1,5 salário mínimo. Quer dizer, perto de R$ 1,5 mil.

Mesmo no setor metalúrgico, os contratados para as novas vagas recebem entre 75% e 80% dos ex-empregados, o que provoca perda no poder de compra e arrocha a massa salarial. O economista Rodolfo Viana, da subseção do Dieese em nosso Sindicato, tem acompanhado mês a mês essas variações, quase todas negativas, no mercado de trabalho da categoria.

A indústria de transformação, que dava algum leve sinal de recuperação, voltou a registrar desempenho negativo. E isso é simples de entender. Com os salários arrochados e o consumo baixo, o mercado não reage. Como não há compras em volume suficiente para novos pedidos do comércio, o setor produtivo patina.

Mas esse não é o único problema. Há outros dois, e graves. Um deles é a carga tributária pesada demais sobre a atividade econômica. Outro, e mais dramático, são os juros altos. A taxa Selic de 6,5% ao ano é uma formalidade contábil, pois os juros reais são muito mais altos. Além do que o crédito anda escasso, e caro.

O mundo moderno, para funcionar de forma civilizada, deve se apoiar em três pilares: Estado, mercado e sociedade. O enfraquecimento de qualquer um desses pilares desencadeia crises. E o Brasil atual, infelizmente, enfrenta problemas nesses três vetores. O Estado está enfraquecido e saqueado por interesses privados, o mercado sofre os duros impactos da recessão e a sociedade anda desanimada e sem perspectivas.

Existe luz no fim do túnel? Existe e essa luz se chama eleição. Uma eleição, por si só, não tem poder de resolver tudo, mas pode romper a inércia e injetar novo ânimo de que a Nação tanto precisa. Isso se os candidatos não se renderem ao mando do mercado, que hoje é dominado pelo setor financeiro e especulativo.

Já vejo pré-candidatos falarem sobre tudo: câmbio, juros, ajuste fiscal, pacto federativo e tantas outras ideias. Mas estão nos faltando candidaturas comprometidas com o emprego, a distribuição de renda e um programa nacional de educação. Sem isso, sinceramente, nosso País não sairá do buraco tão cedo.

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