4/4/2018 - Três livros sobre Vargas

• 4/4/2018 - quarta-feira


João Franzin é jornalista e diretor
da Agência de Comunicação Sindical.
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br

Getúlio Vargas nasceu em 19 de abril de 1882. Portanto, na Agência Sindical, abril é o mês de Getúlio. Da nossa parte, várias iniciativas, entre elas uma série de quatro programas de TV, chamada “Sindicalistas Getulistas”.

O legado de Getúlio, construído durante seu longo primeiro governo e depois na gestão interrompida com seu suicídio, em agosto de 1954, é o grande feito político da era republicana brasileira.

Filho da aristocracia rural, o fazendeiro gaúcho teve peito e audácia para modernizar o Brasil, construir o Estado Nacional, prover de direitos a classe trabalhadora e criar bases concretas para a industrialização do País, tendo como exemplos emblemáticos a Siderúrgica Nacional e a Petrobrás.

Inteligente, astuto, culto e corajoso, Getúlio Vargas é o personagem mais estudado da moderna história brasileira. Há inúmeros livros sobre sua vida, seus feitos e sua morte, bem como a respeito do trabalhismo, doutrina que ele tirou da teoria e pôs em prática.

Muitos são os livros. Falo aqui de três. Primeiro, de Orígenes Lessa, “Getúlio Vargas na literatura de cordel”, gênero onde se rivaliza com o mítico Padre Cícero. Lessa reproduz inúmeros poemas em cordel, entre eles “A entrada triunfal de Getúlio em Recife”, no qual Delarme Monteiro da Silva pontua: “Quem achou isto ruim/foi a gente da escol/que não tinha classe pobre/como gente, no seu rol/sem saber que o povo baixo/também tem direito ao sol”.

Um dos melhores livros sobre o presidente nacionalista saiu em 2004, publicado pelo BNDES, quando presidido pelo professor Carlos Lessa. Trata-se de “Getúlio Vargas e Seu Tempo”, que relata e avalia as realizações getulistas, com ênfase às ações desenvolvimentistas e nacionalistas. De distribuição restrita, a obra é encontrada em sebos. Vale a pena ter à mão o livro, muito bem produzido, sob coordenação de Raul Mendes da Silva.

Em 2012, foi a vez da Unesp publicar “A Era Vargas”, com ensaios de oito autores, de formação variada. Entre eles, o professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, que comparece com a melhor peça do livro. Os getulistas lhe atribuem a qualidade de visionário. E o “A Era Vargas”, a certa altura, nos informa que Getúlio, quando deputado estadual, nos idos de 1914/1915, já fazia a pregação pelo saneamento básico – saneamento que ainda hoje é negado a mais da metade dos brasileiros.

Por ser paulista, do Interior, de família católica, convivi com uma forte cultura antigetulista boa parte da minha vida. Até que, por iniciativa própria, decidi estudar vida e obra do gaúcho. Minha admiração por Brizola também estimulou a afinidade com a herança varguista.

Vargas não é grande apenas pelo que fez, mas porque fez e de que forma fez. A elite nunca o engoliu. O jornalista Samuel Wainer, em “Minha razão de viver”, escreve que, eleito presidente em 1951, Getúlio não tinha um só importante veículo de comunicação a seu favor. Todos eram contra; daí a necessidade de se criar o jornal Última Hora.

Darcy Ribeiro considerava a “Carta-testamento” o principal documento político brasileiro. Comunista de formação, e militância, o professor Darcy conheceu Getúlio e virou getulista. Mais uma demonstração de sua inteligência, seu nacionalismo e sua capacidade de entender a complexidade do Brasil e do nosso povo.

Viva Getúlio. Malditos sejam os que fustigam sua memória e corrompem sua obra.


"Getúlio Vargas e Seu Tempo” foi publicado pelo BNDES em 2004

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