5/4/2018 - Economia afunda, mas a mídia esconde - Altamiro Borges

• 5/4/2018 - quinta-feira


Altamiro Borges é jornalista e presidente
do Centro de Estudos de Mídia Alternativa
Barão de Itararé. E-mail:
aaborges1@uol.com.br

O Banco Central divulgou que a economia encolheu 0,56% em janeiro, o que jogou um balde de água fria nas previsões otimistas de Henrique Meirelles, o “sinistro” da Fazenda do covil golpista de Michel Temer. O estudo não virou manchete nos jornalões e nem foi motivo de comentários ácidos dos ex-urubólogos da imprensa. O IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) apontou a contração em vários setores – com exceção do agronegócio. A produção industrial mostrou a mais forte retração nos últimos dois anos ao encolher 2,4% em janeiro, na comparação com dezembro. Já o volume de serviços recuou 1,9% no mesmo período, no pior resultado para janeiro em seis anos.
 
O desastre, porém, não inibiu a mídia chapa-branca, que continua jurando que “a situação está ruim, mas vai melhorar”. O seu esforço para manipular a sociedade é descarado. Ela evita dar destaque às péssimas notícias do cotidiano. Na semana anterior, uma nota bem minúscula da Folha informou que “o número de micro e pequenas indústrias paulistas que realizaram algum investimento caiu em fevereiro deste ano em relação a janeiro. Cerca de 15% aportaram recursos no próprio negócio, uma queda de um ponto percentual, segundo o Simpi (sindicato do setor) “... ‘Para a micro e pequena indústria, ainda há um aprofundamento da crise: investimento baixo, crédito escasso e perda de empregos’, diz o presidente do Simpi”.

Já a revista Época também postou outra notinha miúda dia 19: “Pesquisa realizada pela Fecomercio mostra que houve fechamento de quase 18 mil postos de trabalho no Estado de São Paulo no mês de janeiro. A Capital responde por quase um terço do total. De acordo com a entidade, o recuo no número de vagas é natural para janeiro pois sucede o Natal, ocasião em que as contratações crescem. Os setores mais atingidos com o fechamento de postos foram: vestuário, tecidos e calçados e supermercados. Atualmente há mais de dois milhões de empregos formais no varejo paulista”. Ou seja: 18 mil pessoas são jogadas no olho da rua, mas para a revista da golpista famiglia Marinho isto é “natural”.

A quebradeira das empresas – com a multiplicação de placas de “vende-se” ou “aluga-se” – pode ser vista nas ruas de várias cidades do País. Mas a mídia insiste em ocultar o desastre. Em fevereiro, a própria Confederação Nacional do Comércio (CNC), que teve papel ativo na desestabilização do País e na cavalgada que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, confirmou a tragédia. Segundo seu estudo, que também foi abafado pela imprensa, 226,5 mil lojas fecharam as portas no ano passado – um recorde histórico. Em 2016, ano do golpe, já tinham sido fechados 105,3 mil estabelecimentos comerciais em todo o País. Apesar da tragédia, a golpista CNC garante que “a previsão é de alguma recuperação para 2018”. E tem otário que acredita!

Em tempo: neste esforço para iludir os brasileiros, a mídia chapa-branca deu manchetes e soltou rojões com a notícia de que o “Brasil registrou a criação de 61.188 novas vagas com Carteira assinada em fevereiro de 2018, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados dia 23 pelo Ministério do Trabalho. O resultado é o melhor para o mês desde 2014, quando foram criadas 260.823 vagas. Em fevereiro de 2017, foram criados 35.612 postos de trabalho” – comemorou o Estadão. Em editorial a própria Folha, mais cautelosa, evitou a euforia.

"O balanço do emprego formal de fevereiro apresentou notícias positivas, mas ainda frustrantes. Criaram-se mais vagas com Carteira assinada do que no mesmo mês de 2017 (61,2 mil contra 35,6 mil), mostra o Caged. Entretanto os números vieram abaixo das previsões de economistas do setor privado – e restam setores e regiões em crise”. O jornalão da famiglia Frias até ensaia uma crítica suave ao covil golpista. “A gestão Michel Temer não conseguiu deslanchar um programa de concessões de obras e serviços para a iniciativa privada... Em suma, a recuperação do mercado de trabalho formal permanece lenta. Indica reticência e capacidade ociosa nas empresas. A escassez de vagas de melhor qualidade é, decerto, um obstáculo à expansão do consumo e da economia”.

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