Brasil Metalúrgico lança nota contra taxação do alumínio e defesa do emprego

8/3/2018 - quinta-feira

O movimento Brasil Metalúrgico, que congrega Sindicatos, Federações, Confederações e Centrais, lançou nota externando preocupação com o anúncio feito pelo governo norte-americano de elevar a tarifa de importação de aço em 25% e do alumínio em 10%.

De acordo com os dirigentes, "a taxação excessiva poderá dificultar as exportações, gerar desemprego e problemas desnecessários nas relações comerciais entre os dois países".

Para obter um posicionamento do governo brasileiro, as entidades solicitam audiência com o ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho, da Indústria e Comércio Exterior, para que possam manifestar sua preocupação e também pedir apoio às ações complementares para a preservação dos interesses nacionais.

Leia abaixo a nota na íntegra:

Em defesa da produção e do emprego na indústria siderúrgica brasileira

É lamentável o anúncio feito pelo governo norte-americano de elevar a tarifa de importação de aço em 25% e do alumínio em 10%. O Brasil, além de ser grande exportador destes produtos para os Estados Unidos, é, historicamente, um importante parceiro e aliado comercial deste país.

Espanta o fato de que os Estados Unidos, que defendem o liberalismo econômico e a liberdade de comércio entre as nações, tomem medidas claramente protecionistas e totalmente contrárias ao contexto de globalização dos mercados enfaticamente por eles defendida em todos os fóruns internacionais.

Entre 2009 e 2016, o Brasil apresentou saldo negativo em suas transações comerciais com os Estados Unidos. Neste período, o déficit acumulado foi de US$ 48,3 bilhões, o maior já registrado na história do comércio exterior brasileiro em um período de oito anos com um único país. Nem por isto o Brasil aventou a possibilidade de sobretaxar produtos norte-americanos ou criar-lhes qualquer tipo de barreiras de importação.

A razão alegada para sobretaxar o aço e o alumínio é a de que a importação destes produtos põe em risco a segurança nacional norte-americana, argumento totalmente infundado, pois o aço vendido aos Estados Unidos é semiacabado e complementar ao seu processo produtivo, não criando nenhum constrangimento ou dependência para sua indústria bélica ou aeroespacial.

Os dirigentes das entidades sindicais que integram o movimento Brasil Metalúrgico, abaixo-assinados, veem com muita preocupação o anúncio feito pelo presidente Donald Trump, pois a taxação excessiva sobre o aço e o alumínio brasileiros irá dificultar nossas exportações, gerar desemprego neste setor e problemas desnecessários nas relações comerciais entre os dois países.

Aguardamos atentamente que o governo Temer assuma posição firme em defesa da produção e do emprego no setor siderúrgico brasileiro e adote, se necessário, medidas cabíveis no âmbito dos fóruns comerciais internacionais, entre elas, a Organização Mundial do Comércio, contrárias a esta decisão unilateral do governo norte-americano.

As entidades abaixo-assinadas solicitam audiência com o ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho, da Indústria e Comércio Exterior, para que possam manifestar sua preocupação e reivindicações e também apoio às ações complementares para a preservação dos interesses nacionais.

Miguel Torres
Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos - CNTM/Força Sindical

Paulo Cayres
Confederação Nacional dos Metalúrgicos - CNM/CUT

Luiz Carlos Prates (Mancha)
CSP/Conlutas

Marcelino da Rocha
FitMetal - Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil

Delson José de Oliveira
União Geral dos Trabalhadores - UGT/Minas

José Avelino (Chinelo)
Central dos Sindicatos Brasileiros - CSB

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