06/10/2015 - Deslocamento à direita

06/10/2014

*Por João Franzin

Certa vez, pediram ao grande Chu En-Lai sua avaliação acerca de Revolução Francesa. Resposta: - Ainda é muito cedo. A Revolução nem tem ainda 200 anos. Nós, jornalistas, não podemos esperar 200 anos. A profissão impõe análises e impressões rápidas a respeito de processos extremamente complexos. Como uma eleição no País que é sétima economia no mundo.

Esta eleição teve de tudo. Começou polarizada entre PT-PSDB; viu Marina subir e passar Dilma; acompanhou a queda de Marina; e assistiu na reta final a uma arrancada de Aécio, que chegou, à certa altura, a ser largado no caminho pelos amigos de ocasião. O fim do primeiro turno foi o retorno à polarização PT-PSDB, com absoluta imprecisão sobre o resultado final da eleição.

Como sabe qualquer analista de botequim, não existe o fato e sim o processo. A eleição, do dia 5, não é um acontecimento congelado no tempo e no espaço. Ela está ligada ao amplo e complexo processo social. Inclusive às manifestações de junho de 2013, cuja plástica lembrava atos de esquerda, que carregaram um agressivo discurso contra a política. Ou seja, eram de direita.

Não queria dizer (dado o fatídico 13 de agosto), mas há uma lição que se extrai dos acidentes de avião. A investigação, em regra, conclui que a queda ocorreu em virtude de precauções que não foram cumpridas. Uma das falhas gritantes do atual governo é na comunicação – já outras vezes apontada aqui. Veja: Lula, pela força do carisma, não precisa de meios, pois fala direto aos corações e mentes. Não é o caso de Dilma, que não criou formas de falar com a sociedade.

O balanço eleitoral mostra um efetivo deslocamento à direita. A grande mancha vermelha/petista metropolitana (de São Paulo), por exemplo, simplesmente desapareceu nesta eleição. Fica a dúvida se esses extensos beiradões suburbanos serão despertados para o caráter classista da eleição em segundo turno.

Símbolo - Aqui em São Paulo, cuja periferia tem graves carências, não há como deixar de falar das ciclovias do prefeito Haddad, que tanto agradam a classe média enjoadinha. O prefeito viveu para ver esse eleitorado se valer da revolucionária forma de mobilidade urbana para, alegremente, reeleger o tucano Geraldo Alckmin.

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