Grande capital deu o golpe de 2016, mostra livro de jornalista da CTB

• 10/10/2017 - terça-feira

Jornalista e assessor político da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Umberto Martins foi entrevistado por João Franzin, da Agência Sindical, sobre seu livro “O golpe do capital contra o trabalho”, da Editora Anita Garibaldi. Para o autor, a derrubada de Dilma da presidência é um golpe desferido por amplos setores do capital, para, essencialmente, atingir a classe trabalhadora.

Principais trechos:

Sentido - “O sentido do livro está basicamente no título. Ele trata, principalmente, do chamado golpe de Estado de 2016; golpe travestido de impeachment, cujo resultado foi tirar uma presidente eleita com 54 milhões de votos - honesta e íntegra. E pra colocar em seu lugar quem o empresário Joesley Batista - agora preso - chamou de ‘a mais perigosa quadrilha de corruptos do Brasil’, liderada pelo presidente Temer”.

Classe - “O golpe tem características de classe. Quando a gente analisa do ponto de vista das classes sociais nele envolvidas, e dos seus interesses, e também do conteúdo concreto, vê-se claramente que é um golpe contra a classe trabalhadora - fundamentalmente golpe do capital contra o trabalho”.

Conteúdo - “O que chamo de conteúdo do golpe são as medidas que o governo vem aplicando. Veja a contrarreforma trabalhista. Ela claramente beneficia os grandes capitalistas em detrimento da classe trabalhadora, pois precariza as relações de trabalho, atenta contra o Direito de Trabalho, enfraquece a Justiça do Trabalho. Mas não há só essa reforma. Por exemplo, a PEC dos gastos públicos compromete seriamente o desenvolvimento nacional, em especial os investimentos em saúde e educação, prejudicando a classe trabalhadora, os setores mais frágeis”.

Soberania - “Há também um ataque à soberania brasileira, com a entrega do pré-sal às multinacionais. O golpe tem o dedo dos EUA, das grandes empresas americanas, do capital internacional”.

Dominação - “Foi um golpe fundamentalmente pra servir às classes dominantes - os grandes capitalistas, o sistema financeiro, sobretudo os banqueiros, e acima deles a aristocracia financeira internacional, e os EUA, cujo papel central no golpe eu desenvolvo em alguns capítulos. Foi um golpe dado a pretexto de combater a corrupção. A grande mídia criou uma narrativa de um suposto processo de combate à corrupção. Em nome disso, colocaram uma quadrilha no governo. Mas isso é deixado de lado, na medida em que eles cuidam da restauração neoliberal para o capital estrangeiro e os EUA. Observe que o Brasil já mudou a política externa, voltou as costas para a América Latina e está de novo alinhado ao imperialismo. Temer é serviçal do Trump - bate na Venezuela; tenta sabotar o Mercosul e, sobretudo, entrega as riquezas nacionais, enfraquecendo a Petrobras; vendendo terra a estrangeiros, colocando em risco a soberania nacional e abrindo o pré-sal ao capital estrangeiro”.

Resistência sindical - “Em primeiro lugar, unidade. Uma ampla unidade entre os trabalhadores e o movimento sindical. Temos aí o Fórum das Centrais, é preciso fortalecer esse Fórum, criar uma plataforma concreta, uma agenda de luta unitária. Mas o sindicalismo por si só não tem força suficiente pra enfrentar o vendaval. Enfrentamos uma ofensiva muito forte das forças da direita. É preciso ampliar, criar uma frente ampla que compreenda os partidos progressistas, as forças progressistas, amplos setores, inclusive empresariais. Primeiro em defesa da democracia; de um novo projeto nacional de desenvolvimento que tenha fundamento no trabalho; no bem-estar social; no crescimento das forças produtivas, que passa por reindustrializar o País e seja orientado por valores como democracia, soberania nacional, solidariedade, integração latino-americana e valorização do trabalho, que é o que mobiliza a classe trabalhadora”.

Onde encontrar o livro - Pela internet na editora Anita Garibaldi e também no portal da CTB. Telefone e WhatsApp do autor é (11) 99760.2559.


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