28/01/2015 - Vou trabalhar de graça para o governo

Odeio trabalhar de graça. Mas, em nome do equilíbrio fiscal necessário, darei minha contribuição ao governo da presidente Dilma, em quem votei.

Antes, porém, cabe reafirmar princípios, que, como diz Fidel, são inegociáveis. O princípio, aqui, é que não se governa cortando do fraco. O alvo deve ser o forte. O fraco, quando muito, tem os seus direitos e “os direitos – como ensinava o professor Aníbal Fernandes – são a propriedade do povo”. Dos ricos (e fortes), aí sim se pode cortar.

Penso que não se governa sem firmeza ética. Portanto, quem prega sacrifícios tem de dar exemplo. Sendo assim, proponho:

a) Corte horizontal, de 50%, em todos os cargos de livre provimento, que pagam os melhores salários e muitas vezes a quem não vai trabalhar;

b) Redução das verbas de publicidade (em 30%) e nos apoios culturais de estatais – a Petrobras, se deixar, patrocina até briga de galo;

c) Rever todos (eu disse todos) os contratos com ONGs, pois grande parte é de fachada. Não se deve dar dinheiro a essa gente.

Mas isso é insuficiente. Portanto, avanço nas minhas propostas sugerindo um Refis amplo e efetivo para as pequenas e microempresas. Assim, elas zerariam suas dívidas e o Estado arrecadaria mais.

Ainda com relação às pequenas, mandaria o Sebrae ajudar de fato (não só na propaganda) na contabilidade, gerando economia de tempo e dinheiro e, também, agilizando a gestão das micro. Seria uma espécie de PAC na gestão, na cultura empreendedora.

Quanto às grandes empresas (e grandes devedoras), sem abrir mão do Refis, valeria acionar uma operação especial da Polícia Federal, pois muitos são típicos casos de polícia.

Uma providência urgente, presidenta, é a remessa de lucros das múltis. Mandaria a Receita e a Fazenda chamar as 100 maiores e apresentaria um plano: durante um ano, nem um centavo remetido à matriz. A reserva seria aplicada aqui, no setor produtivo. Caso houver recusa, faz-se a devassa nas contas dos executivos das múltis.

Não vou, prezada, tratar aqui de coisas macro, que requerem ações de longo prazo. Mas, como cidadão, apresento esse rol de sugestões efetivas. Feito isso, com transparência e olho no olho (primeiro, dando o exemplo e cortando na carne), aí sim eu recriaria a CPMF e deixaria de lado a ideia de cortar benefícios de aposentados.

Os fracos precisam de proteção do Estado e apoio para que amanhã não venham mais precisar. Abusos (como no seguro-desemprego) devem ser combatidos. Mas esse está longe de ser o grande problema nacional.

Saúde e paz, sra. presidenta. E, agora, dê-me licença, pois preciso trabalhar para quem me paga.

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