3/7/2017 - Dois acertos, um erro

3/7/2017 - segunda-feira


João Franzin é jornalista
e diretor da Editora e Agência de Comunicação Sindical
E-mail: franzin@agenciasindical.com.br
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WhatssApp Agência Sindical: (11) 94270.9363

Quando o governo ressuscitou a terceirização e Eduardo Cunha liderou seu encaminhamento, a Agência Sindical, de pronto, denunciou a agressão aos trabalhadores.

Tomamos por base documento da Nova Central e de entidades da Justiça do Trabalho e o sintetizamos em 10 pontos – “As 10 maldades da terceirização”. Massificamos esse conteúdo em nossa rede, fizemos programa de TV, ouvimos especialistas e ajudamos a alertar o sindicalismo para a violência em vias de ser cometida.

Com aquela iniciativa, também apoiada em orientações do Diap, lavramos um ponto em termos de comunicação. Foi um primeiro acerto.

Quando do lançamento das reformas por Temer, vimos que a agressão contida nas mudanças previdenciárias seria facilmente assimilada pela população. O desmonte da Seguridade – “ninguém vai mais conseguir se aposentar” (era o mote) – feria o factual e o simbólico, ao mesmo tempo. Agredir idosos é inaceitável, nojento e nazista.

Tratamos, então, de massificar a maldade da reforma, esclarecidos, em muito, pela orientação da dra. Tonia Galetti, do Sindinapi/Força Sindical. Com o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e o Dieese, organizamos debate e coletiva de imprensa com o objetivo de massificar na mídia sindical e nos blogs as maldades da reforma. Nosso segundo acerto.

Havia, e ainda há, uma outra reforma, não menos grave, que é a trabalhista. Seu conteúdo, que já era ruim, foi drasticamente piorado na Câmara dos Deputados, na calada da noite, com apoio imediato de Michel Temer. A matéria andou para o Senado, período em que alguns setores sindicais combateram a matéria e outros buscaram negociar atenuantes – com o ministro do Trabalho, o próprio Temer e o Senado.

O fato é que a reforma trabalhista não uniu o sindicalismo numa posição mais ou menos semelhante. Sem essa unidade, não houve também reação em bloco – e o discurso de resistência acabou diluído. Na outra ponta, o governo amaciou a mídia com verbas gordas e argumentos falsos de que a reforma ensejaria criação de empregos.

Aqui, erramos. Não tivemos condições de sistematizar “As 10 maldades da reforma trabalhista” – na verdade, são dezenas, é o próprio desmonte da CLT e da estrutura sindical. Sem essa síntese, acabamos não fazendo a massificação cabível. Ainda há tempo.

Portanto, a partir de agora, a Agência mobiliza meios para massificar: a) A violência da reforma; b) O desmonte de direitos; c) A particular agressividade contra as mulheres. Se conseguirmos sintetizar essas ideais, ficará mais fácil massificar na imprensa sindical o cerne da reforma que dá tudo para o capital e desarticula a organização dos trabalhadores.

Vale registrar que as direções sindicais precisam, além do discurso de combate, bem compreender os itens principais da reforma trabalhista, para, na hora de tratar com as bases, serem didáticas e convincentes.

Convidamos, se é que podemos, para que se somem nessa tarefa as Centrais, o Diap, o Dieese, os blogs progressistas e as entidades que defendem o Estado de Direito construído na Constituição-cidadã de 1988.

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