25/5/2017 - Não tem lógica

25/5/2017 - quinta-feira


João Franzin é jornalista
e diretor da Editora e Agência de Comunicação Sindical
E-mail: franzin@agenciasindical.com.br
Facebook: facebook.com/joao.franzin.1

O pedreiro, o metalúrgico, o tecelão, essencialmente, são pessoas que constroem. Em outras profissões, como o lavrador, o professor, o arquiteto, também prevalece a lógica da construção – produzir coisas, erguer coisas, fazer coisas funcionarem. Portanto, a ideia de destruir coisas não é usual entre trabalhadores ou no próprio mundo do trabalho.

A vida cotidiana do trabalhador é ter horário pra acordar, dormir, se alimentar – sair de casa, chegar em casa; sair do trabalho, chegar no trabalho. A aula do professor tem duração, a tarefa na fábrica tem tempo e metas, o trajeto do motorista de ônibus tem direção e duração.

Por consequência, as organizações de classe expressam essa cultura construtiva e coletiva. A própria organização sindical, enquanto expressão de uma coletividade, busca sempre organizar e construir. Uma pauta tem um sentido coletivo, um acordo - já diz o nome - é coletivo e se sobrepõe a eventual interesse particular.

Contam-se nos dedos as vezes em que uma greve – e greve é conflito entre capital e trabalho, entre mando e subordinação – degenerou em agressão ou dano patrimonial. Raros, muito raros, também, são os casos em que a massa de braços cruzados, ainda que em vantagem numérica, tenha desacatado um policial ou atacado uma viatura. Menos raros, e compreensíveis, os casos em que o trabalhador, ao ser reprimido, utilizou o justo direito de reagir.

Observe: dia 28 de abril, aconteceu greve geral no Brasil. Cerca de 40 milhões de pessoas não foram trabalhar ou interromperam o trabalho naquele dia. Num país enorme como o nosso, com mais de 200 milhões de habitantes, ninguém quebrou nada.

São os fatos que sustentam ou descartam as teorias. Assim, não para em pé qualquer teoria sobre participação sindical nos conflitos de Brasília, dia 24. O sindicalismo não atira pedras. Portanto, o professor, o metalúrgico, o petroleiro, o condutor, o portuário, o comerciário, o frentista, o lavrador, e suas organizações, que lá estiveram não serão os cristãos de Nero ou os bodes expiatórios de Temer.

Os trabalhadores e suas organizações têm a seu favor, primeiro, a justa razão de reivindicar a retirada de projetos que os agridem. Segundo, uma forte tradição de atuar com organização e disciplina.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home