25/4/2017 - O que está acontecendo no Brasil hoje?

25/4/2017 - quinta-feira

João Franzin é jornalista
e diretor da Editora e Agência de Comunicação Sindical
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Consta que essa pergunta orientava importante documento clandestino durante os anos mais pesados da ditadura. A resposta à questão já era a própria indicação do caminho a seguir pela oposição e a grande parcela dos brasileiros que se opunham ao regime de força.

Não há resposta a contento sem que haja a pergunta certa. A correta identificação do problema já indica, em si, o rumo certo. Consta que pré-greve geral de 1983, o núcleo dirigente do PCB apostava nas CPIs para desgastar o regime. Já a ala mais antenada com as ruas - e os trabalhadores - defendia combate cerrado aos decretos de arrocho salarial. Esse combate orientou parcelas do sindicalismo e produziu aquela histórica greve.

Mas, afinal, o que está acontecendo no Brasil hoje? A Agência fez essa pergunta a vários ativistas e pensadores, no auge do processo de impeachment. No geral, as respostas indicavam que estava ocorrendo um golpe. O historiador José Luiz Del Roio, com a experiência dos anos, do exílio e de mandatos de senador na Itália e deputado no Parlamento Europeu, foi claro: - Está acontecendo um golpe. Desferido pela direita, com apoio da mídia e setores do Judiciário. Um golpe para servir ao grande capital.

Portanto, no Brasil do presente está-se colhendo os frutos do golpe, os amargos frutos do golpe que contaminam os trabalhadores, os aposentados e os setores desprotegidos da população, mas que tende a devastar nosso setor produtivo e o mercado interno. Golpe de quem, para quem? Da velha elite local vendida ao capital internacional, que, a fim de expandir seus domínios, precisa desmanchar não só a CLT, mas a Seguridade Social e o Estado de bem-estar social esboçado na Constituição de 1988.

Abril é um momento de agudização desse processo. As reformas previdenciária, trabalhista e a terceirização de tudo representam o ataque por terra, mar e ar aos trabalhadores, ao sindicalismo, ao trabalho e ao próprio mercado de trabalho, que passará a ser regido pela lei do mais forte. Os feitores do golpe sabem que agora, como na ditadura, será preciso quebrar a organização sindical, desmontar os direitos, desorganizar o mercado de trabalho e avassalar o próprio sistema produtivo nacional.

A greve geral do dia 28 não será só paralisação classista. Ela poderá ajudar a definir o modelo de Estado, sociedade e Nação que queremos, para o presente e o futuro do Brasil. Portanto, todo o esforço na preparação e na realização da greve. Unidade e empenho nas horas, dias e tarefas seguintes à greve. Temos vontade, experiência e condições de pôr o governo na defensiva. Nada de diversionismo, nada de abstração e subjetividades laterais. A luta é concreta.

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