Jornalistas precisam erguer a cabeça, alerta o histórico Audálio Dantas

18/4/2017 - terça-feira

“Os jornalistas sempre foram linha de frente das lutas cívicas e sindicais. A categoria sempre ousou enfrentar as pressões e a repressão. Mas vejo hoje muita gente de cabeça baixa frente ao poder nas redações e aos desmandos do governo golpista. Precisamos erguer nossas cabeças”. O alerta é de Audálio Dantas, histórico presidente da entidade, na cerimônia dos 80 anos de fundação do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na segunda (17).


Audálio Dantas discursa na abertura das comemorações dos 80 do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Jornalista, escritor e ex-deputado federal, Audálio lembrou que naquele auditório – hoje denominado Vladimir Herzog – foi dado o primeiro grito que abalou a ditadura. “Aqui, decidimos em outubro de 1975 denunciar o assassinato de Vlado e realizar o Ato Ecumênico na Igreja da Sé”, contou em sua fala. A morte do jornalista, nas dependências do Doi-Codi, despertou a Nação e gerou fissuras no próprio regime, que, a partir de então, entrou em forte processo de desgaste.

Piso - Em sua fala, a começar pela própria fundação da entidade (em 1937), Audálio Dantas lembrou que vários articuladores do Sindicato não puderam compor a diretoria, pois estavam presos por combater o regime de Getúlio. Ele também valorizou a greve de 1961. Recorda: “Foi greve pelo Piso profissional, para que deixássemos de ser rebanho dos patrões. Os jornalistas fizeram piquete, sofreram com jatos d’água e repressão policial, mas a verdade é que São Paulo ficou cinco dias sem jornais”.

Mulheres - Quando da primeira diretoria, em 1937, havia uma única mulher, Margarida Izar. Hoje, cerca de 60% da categoria é composta por mulheres. A própria Federação (Fenaj) tem uma jornalista na presidência, Maria José Braga. O sistema de eleições diretas para a Fenaj foi proposta do próprio Audálio, que chegou a presidir a entidade.

Base -
Em contato na manhã desta terça (18) com a Agência Sindical, Audálio Dantas comentou que o Sindicato dos Jornalistas precisa se aproximar dos jovens profissionais. Sua observação se estende às Centrais: “É muito importante que as direções não se desvinculem das categorias”.

Greve geral - Ao final da cerimônia, Douglas Izzo, presidente da CUT São Paulo, chamou os jornalistas a participar da greve geral marcada para 28 de abril.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home