19/5/2016 - Temer e as mulheres

19/5/2016 - quinta-feira

João Franzin é jornalista
e diretor da Editora e Agência de Comunicação Sindical
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João Franzin

Quem conviveu com Therezinha Zerbini, dama da Anistia, teve oportunidade de conhecer uma mulher de coragem, voluntariosa e que dizia, sem cerimônia, o que pensava das coisas e das pessoas. Tive a honra de conviver com Therezinha e de atuarmos juntos no campo trabalhista e nacionalista.

A valorosa patriota costumava dizer que só acreditava na força de um movimento se as mulheres participassem a abraçassem a causa. Foi assim com a Anistia, contava, movimento que teve adesão de senhoras da sociedade e foi se espraiando para amplos setores sociais. Assim também o movimento contra a carestia, entre final dos anos 70 e começo dos anos 80.

Therezinha me contou episódio com o dirigente metalúrgico Joaquinzão, que mantinha em alta conta. Segundo seu relato, certa feita, ante a incerteza entre os homens se uma greve deveria ou não ser feita, Joaquim a chamou e pediu que falasse com as mulheres dos trabalhadores em apoio à greve.

Lembrei-me da amiga saudosa estes dias ante o erro grosseiro do governo Temer em não indicar mulheres para seu vasto Ministério, marcadamente masculino e velhote. Penso que, mais que ignorar a força numérica da mulher na população brasileira, Temer agrediu o simbólico, mostrando desprezo pela capacidade feminina e indicando que, em sua visão de mundo, a mulher é apenas decorativa.

Não digo, ainda, que exista uma crise entre o interino e as mulheres brasileiras. Há um forte mal-estar, que vi em inúmeras manifestações, inclusive numa grande marcha pelas ruas de São Paulo no último domingo.

Nenhum político, por mais astuto e dissimulado que seja, pode confrontar os fatos. E os fatos da atualidade demonstram a força feminina crescente. Por exemplo: o País mais desenvolvido do mundo (por ser mais equilibrado socialmente) é dirigido por uma mulher, Angela Merkel. E a potência mais poderosa do planeta, hoje presidida por um negro, tem grandes chances de ver uma mulher, Hillary Clinton, no seu comando.

Conheço Temer, e bem. Na Constituinte, a Federação para quem eu trabalhava o apoiou e me coube fazer o jornal (200 mil) em seu apoio. Anos depois, atuei na Associação dos Procuradores do Estado quando o dr. Michel dirigia a PGE. Vi a forma desrespeitosa com que ele, em evento do PMDB, tratou o ex-presidente Itamar Franco, um político digno. Por conhecê-lo (e por tantas outras coisas), sei que se trata de pessoa inteligente e hábil jogador da política.

Mas não é só com as mulheres que o vice se encrenca. Ao fechar o Ministério da Cultura, ele mostra desconhecer, por exemplo, a força econômica da chamada economia criativa, que já tem peso no PIB nacional. Sem contar que o financiamento público da cultura pelo Estado é um ganho civilizatória a ser entendido e valorizado. Mas essa é outra história.

Bom jurista, habilidoso operador do bastidor político, homem que já passou dos 70, Michel Temer vem cometendo erros toscos. Deveria, a esta altura da vida, saber que não está em condições políticas de fazer inimigos e muito menos se indispor com as mulheres, cuja curva social, econômica e política é ascendente.

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