28/3/2016 - Encontro com Lula

28/3/2016 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
e diretor da Editora e Agência de Comunicação Sindical
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br Facebook:
facebook.com/joao.franzin.1

João Franzin

Deve-se ao empenho de muitos, mas, especialmente a João Carlos Gonçalves (Juruna) e Sérgio Nobre (metalúrgico do ABC), o êxito do encontro de sindicalistas com Lula, quarta, dia 23, em São Paulo.

Aos organizadores do encontro cabe, ainda, o mérito do “Garantir a democracia e o respeito à Constituição - Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe", documento – lido e aprovado pela plenária – que defende a democracia e também cobra mudança na política econômica.

Como diz o teórico, não existe o fato e sim o processo, ou seja, há o antes, o durante e o depois. A organização do encontro superou a barreira da pressa, dando conta do antes. O encontro foi amplo, representativo e produtivo, cumprindo, portanto, sua função. Restam, assim, as tarefas do depois, que estão postas.

O ex-presidente falou por 40 minutos, alternando descontração e veemência. Num dos trechos descontraídos, disse que deixou a pinga pelo uísque. Ao comentar a onda de combate à corrupção, lembrou que seu governo fortaleceu a Polícia Federal, criou o Portal da Transparência e ampliou prerrogativas de órgãos fiscalizadores. Depois, em conversa com os companheiros, pediu mais atos sindicais nos Estados.

Para Lula, a tarefa urgente é barrar o impeachment ou o golpe contra Dilma. Pediu aos sindicalistas que procurem os deputados federais em seus Estados e exponham a posição dos trabalhadores. Sua fala relativa à Lava-Jato foi, na verdade, um questionamento de seus impactos na economia e no emprego. Justiça seja feita: ele não insinuou qualquer veto às investigações.

O encontro, de certa forma, reverte o desencontro de Dilma com o movimento sindical. Os sindicalistas confiam em sua capacidade política. O documento é claro: “Expressamos a convicção de que Lula, maior líder político e popular do País, merece e goza de plena confiança e solidariedade dos dirigentes e da classe trabalhadora e irá contribuir para solucionar a crise política e institucional que perturba o Brasil”.

Cansado e com voz rouca, Lula já não era o mesmo que estivera naquela Casa de Portugal, em 1979, para tratar com jornalistas da greve que a categoria iria fazer. De lá para cá, ainda que o País tenha mudado muito, não surgiu outra grande liderança popular. Portanto, o encontro da quarta foi pensado como homenagem ao líder que surgiu das lutas sindicais e presidiu o País por dois mandatos. Foi feito, também, para dizer ao líder maior dos sindicalistas que o País precisa voltar a crescer, pois, com desemprego e recessão, os trabalhadores não terão estímulo pra defender a democracia e combater golpistas de plantão.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home