27/7/2015 - Tolerância zero aos corruptos

*Por Ricardo Patah

Ricardo Patah é presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo
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Que o Brasil está em crise, é fato. E isso pode ser atribuído aos equívocos e aos erros cometidos pelo governo na condução da economia. As denúncias sobre desvio de dinheiro e pagamento de propina de empreiteiras contratadas pela Petrobras turbinaram a crise e levaram o governo ao descrédito, quase paralisando o País pela falta de investimentos.

O resultado tem sido devastador no maior patrimônio do trabalhador, o emprego. Milhares de postos de trabalho estão sendo fechados em todos os pontos do País, com a recessão batendo à nossa porta e sem perspectiva de melhora em curto prazo. Além disso, a denúncia do delator Júlio Camargo, de que o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, exigiu 5 milhões de dólares de propina, foi como jogar um balde de gasolina na fogueira.

Para o trabalhador, que acorda cedo todos os dias e tem de suar muito para ganhar seu salário no fim do mês e pagar todos os impostos, é revoltante ouvir que um deputado, eleito para representar o povo e que ocupa o terceiro posto na linha de sucessão presidencial, exigiu propina por conta de negócios da Petrobras. É como se a corrupção estivesse enraizada na sociedade brasileira. Um vale tudo.

A realidade, no entanto, é outra. O brasileiro é trabalhador, honesto e repudia a corrupção. Ela, na verdade, é o grande mal do nosso País. E é por isso que os mecanismos de combate aos corruptores e aos corrompidos devem ser aperfeiçoados a cada dia. Os países mais desenvolvidos mostram que acabar totalmente com a corrupção é impossível, mas diminuí-la a níveis próximos de zero é fundamental para a vida digna ao povo.

No Brasil, muitos praticam atos ilegais por acreditar que nunca serão pegos. Infelizmente, a impunidade e a fragilidade dos nossos órgãos de fiscalização acabam servindo de incentivo para os malfeitores. Mas todos nós sabemos que o desenvolvimento de uma Nação passa, necessariamente, pelo combate à corrupção. Um país corrupto nunca será desenvolvido.

A prisão de poderosos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro e pagamento de propina pela Petrobras mostra que há luz no fim do túnel e que o Brasil tem jeito. Vendo grandes empresários das maiores empreiteiras do País atrás das grades (alguns já condenados a até 15 anos de prisão), é muito provável que aqueles que têm o hábito de fazer mau uso do dinheiro público pensem e repensem mil vezes antes de cometer algum crime.

Tolerância zero aos corruptos deve ser a meta perseguida. Ela levará o Brasil a dias melhores.

Um abraço do Ricardo Patah.

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