13/7/2015 - Retrato de Jango

13/7/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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João Franzin

O gaúcho João Goulart era torcedor do Internacional, time onde havia jogado, quando estudante. Jango morreu em 6 de dezembro de 1976. No dia 14, o time disputaria título nacional com o Corinthians, no Beira-Rio. Haveria um minuto de silêncio em sua memória. O III Exército proibiu o minuto de silêncio. Pequena maldade, entre as grandes que o regime cometeu.

Essas e outras histórias interessantes estão contadas no livro “O presidente injustiçado – 100 perguntas, 100 respostas”, editado em Fortaleza, em 2008. O autor é o médico Marco Pinheiro; prefácio de Aldo Rebelo.

Ganhei de João Vicente Goulart alguns exemplares semana passada, para compor a pequena biblioteca do Instituto Jango-São Paulo, que está sendo formada. Li, com a rapidez paulistana de sempre, observando que se trata de um trabalho singelo, honesto, que vai ajudando a reconstituir a memória do grande trabalhista, derrubado pelo golpe de 1º de abril de 1964, a mando dos Estados Unidos.

Um historiador acadêmico não começaria seu livro, por exemplo, perguntando “Como era o lazer do Presidente João Goulart?”. Mas é assim que Marco Pinheiro principia sua obra. A pergunta de número 100 é: “Qual foi o último contato do presidente Jango com seu compadre, Amaury Kruel, comandante do II Exército, considerado o maior traidor de todos”?

Sem a preocupação acadêmica, que engessa as narrativas, o livro “100 perguntas” ressalta o perfil humanístico do presidente. O que se lê na página 18 sobre “Qual foi o maior prazer do Presidente na vitória do Brasil na Copa de 1962”? Diz: “Jango recebeu toda a delegação brasileira na Granja do Torto. Ao ver curiosos se aglomerarem nos portões da Granja para festejar os bicampeões, mandou todo mundo entrar na residência oficial. Foi mandado servir comida para todo mundo”.

O livro também destaca a honestidade de João Goulart, que era contido no uso pessoal dos recursos públicos – e dá exemplos desse comportamento. Na página 119, o autor publica a lista do ministros de Jango. Impressiona a qualidade, com nomes como Celso Furtado, Almino Afonso, San Thiago Dantas, Darcy Ribeiro, Carvalho Pinto, Eliezer Batista e Paulo de Tarso Santos.

Apesar do massacre da mídia e da oposição raivosa, João Goulart se conservou popular. Em março de 1964, pesquisa Ibope (mantida escondida por décadas) mostrava o presidente com 76% de aprovação dos brasileiros. Subia também o apoio do eleitorado ante a possibilidade de reeleição; e caía a rejeição.

Todos podem combater as injustiças contra a memória do grande presidente trabalhista. O livro de Marco Pinheiro é uma contribuição efetiva nesse sentido.

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