15/6/2015 - O que agrega

15/6/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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João Franzin

Parte dos nossos dirigentes sindicais já estava na ativa na época do governo Figueiredo. É gente que viveu a transição democrática, passando depois por Sarney, Collor e FHC. Esses sindicalistas conhecem o significado da palavra crise, na economia e na política, e experimentaram a desagregação que isso traz.

Já boa parte das categorias que esses dirigentes representam não tem a mesma experiência. Essa imensa massa de trabalhadores, de todos os setores, desconhece inflação alta, desemprego e perda de direitos.

Ocorre que hoje, embora a palavra crise deva ser usada com moderação, o Brasil atravessa uma fase de confusão política e desaquecimento da economia. A massa trabalhadora começa a sentir o peso do desemprego e vê, aturdida, direitos serem atacados por medidas do governo e iniciativas parlamentares patronais.

Nessa conjuntura, o sindicalismo sai da frente ocupada nos anos Lula e no primeiro governo Dilma e vai para a retaguarda, em posição de resistência. O desafio, agora, é como resistir de forma organizada e com as bases mobilizadas, tendo de explicar a muitos trabalhadores, pela primeira vez, que precisarão lutar por emprego e pela própria dignidade, ameaçados pela crise econômica e os ataques a direitos.

Um outro problema - que reaparece, estimulado pelo clima de terceiro turno eleitoral - é a contaminação de segmentos sindicais pela disputa político-partidária. Como a direção política do sindicalismo está, hoje, com as Centrais, a partidarização de parte dessas direções introduz tensão, disputa e desconfiança na relação entre o comando do movimento, o que dificulta uma ação unitária mais articulada, contínua e consistente.

Um terceiro problema diz respeito às dificuldades de custeio das entidades de base. E aqui há vários fatores que pesam. A começar pelo desemprego, que reduz o tamanho das categorias e, portanto, a base de arrecadação dos Sindicatos.

O aumento exponencial das tais “cartas de oposição” de trabalhadores a descontos de contribuições também fustiga as finanças sindicais. Junto com isso, as entidades são atormentadas por TACs do Ministério Público do Trabalho e decisões judiciais de primeira instância, quase sempre agressivas e francamente hostis à organização sindical.

O tempo do vento a favor já passou. Vivemos nova conjuntura. A crise econômica, a desorientação do governo, o conservadorismo do Congresso Nacional, a partidarização de setores da cúpula sindical, o desemprego nas bases trabalhadoras, os ataques patronais a direitos e as ameaças às finanças das entidades agravam duramente as condições para a luta.

Essa situação exige, das direções, assessorias e das entidades ligadas ao mundo do trabalho, um claro entendimento da conjuntura, além da adoção, nas entidades de base, de medidas práticas necessárias para a resistência cotidiana. A cúpula sindical também precisa ter discernimento, pé no chão e firmeza, sabendo que o período de enfrentamento não será curto. Diante disso, cresce a importância da unidade de ação e da disposição de luta.

Verifica-se, nas bases trabalhadoras, um clima até de perplexidade, até porque muitos são jovens e inexperientes nas lutas de resistência. É a situação típica em que o contato entre direção e base precisa ser mais estreito, levando-se informação, orientação e assistência. É o que agrega.

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