1º/6/2015 - Dois atos e foco sindical

1º/6/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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João Franzin

Até a noite do domingo, a CTB era a Central que havia feito o melhor balanço das mobilizações do dia 29, divulgando em seu site manifestações em diversos Estados. Seu site mostrava fotos e fatos do protesto contra as MPs do pacote e o projeto da terceirização.

CUT, UGT e outras Centrais informavam atos de seus filiados – a CUT enfatizava a grande concentração em São Bernardo. Mas o balanço, com números e relatos, ainda está por ser feito. Havia, também, o registro de entidades, em regiões. Casos, entre outros, dos Metalúrgicos de Guarulhos (SP) e de Curitiba, Paraná, entidades forcistas que participaram do protesto, mobilizando milhares.

As manifestações do dia 29 cumpriram a tarefa proposta pela CUT, UGT, Nova Central, CTB, Intersindical e movimentos populares de levantar a voz dos trabalhadores contra o pacote fiscal e a precarização embutida na terceirização. Na manhã da sexta, no calor dos atos, falei com dois dirigentes, em diferentes regiões do País. Quis saber se a massa trabalhadora estava recebendo bem as falas, e eles testemunharam que sim.

Amanhã, terça, as Centrais voltam a protestar. Desta vez, puxado pela Força Sindical, o ato em frente ao Banco Central em São Paulo terá como alvo principal a taxa de juros. Os dirigentes têm claro que o aumento nos juros penaliza o setor produtivo e, daí, sacrifica o emprego – sem contar que a alta nos juros, na prática, transfere renda para o setor rentista e parasitário da economia.

Na verdade, a classe trabalhadora brasileira de certa forma perdeu a memória dos tempos de arrocho, desemprego e derrotas. Até porque, nos governos Lula e Dilma, ela colheu vitórias em quase todas as frentes. As gerações novas – nas fábricas, comércio, bancos, serviços – não têm noção do que é desemprego e arrocho salarial. Isso, pra esse faixa, é algo inédito.

As direções sindicais estão tendo de recolocar no discurso expressões como desemprego e arrocho. Junto com esses problemas, há ainda questões como a elevação dos juros, os ataques a direitos (o PL da terceirização é o sinal mais flagrante disso) e políticas governamentais recessivas – coisa que não ocorria desde o governo de Fernando Henrique.

Dia 27, ao falar com um dirigente que iria protestar em fábricas dois dias depois, quis saber dele qual seria seu discurso. Ele, nas minhas contas, relacionou oito itens. Eu observei que falar em tantos tema numa porta de fábrica significaria dispersão e confusão. A fala precisa ter centro. Quando se fala para muitas pessoas, é preciso ter foco.

O sindicalismo está buscando afinar esse foco – e isso não acontece num passo de mágica. A definição desse foco também será fundamental para o reagrupamento unitário das direções sindicais na hora da mobilização, mas também nas tratativas com o Congresso, no enfrentamento do governo e no combate aos ataques patronais a direitos e conquistas.

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