25/5/2015 - Três décadas no eito

25/5/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br Facebook:
facebook.com/joao.franzin.1


João Franzin

Dia 2 de maio de 1985, fui registrado como jornalista do Sindicato dos Têxteis de Americana. Na época, trabalhava para os têxteis e também para o Sindicato dos Borracheiros, que pagavam meio a meio meu salário.

Não era minha estreia no sindicalismo, onde comecei em 1979, ao fazer um jornal para a Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas, de São Paulo, e em maio daquele ano ao participar, na linha de frente, da greve dos jornalistas – mal feita e fragorosamente derrotada.

O trabalho em Sindicatos grandes é muito pesado para os jornalistas. Em entidades menores, são ainda piores as condições, porque existe muita demanda a ser atendida frente a recursos minguados, jornadas extenuantes e salário modestíssimo.

Pois bem. Só sábado (23), me dei conta de que o dia 2 havia ficado pra trás, marcando três décadas de trabalho continuado para o sindicalismo. São três décadas repletas. Quando comecei, ainda era ditadura. Fui testemunha – e parte – do processo de resistência, busca pela volta da democracia, Assembleia Nacional Constituinte, reconquista das eleições diretas etc. Vivi o Plano Cruzado, o Real, a eleição de Collor, sua queda, os amargos anos neoliberais de Fernando Henrique, eleição de Lula, reconhecimento das Centrais Sindicais, e tanto mais.

Outro dia, ao fazer as contas, listei mais de 100 entidades para quem trabalhei nesse período. Uma parte disso fiz sozinho (às vezes, literalmente) e outra parte – há 20 e poucos anos – com a equipe da Agência Sindical, que fundei e da qual sou um dos coordenadores, com o jornalista Robson Gazzola.

Falar de si próprio agrega um inescapável cabotinismo. De todo modo, gostaria de apontar alguma experiência que acumulei e lições do período.

. Sindicalismo - Nesse tempo todo, o empenho central do meu trabalho foi valorizar a ação sindical, tentando passar a ideia de que sindicalismo faz bem, sindicalismo agrega, sindicalismo conquista, sindicalismo combate abusos, sindicalismo distribui renda, ou seja, contribui para a construção de uma ordem social mais justa.

. Comunicação - O sinônimo de comunicação sindical é agilidade. Mais importante que o esmero gráfico e a edição fina, é a rapidez com que se comunica, se informa, se responde.

. Democracia - Quem viveu na ditadura sabe o valor da liberdade. Meu/nosso trabalho de comunicação e assessoria sindical, nesse tempo todo, tem sido uma persistente valorização da democracia, entendida como o regime que possibilita ao trabalhador se organizar, disputar espaço e buscar mais direitos e dignidade.

. Papel - A história de militância é boa porque soma qualidade política ao trabalho, mas é ruim porque o assessor vive tentado a se colocar no lugar da direção, especialmente ante falhas grosseiras e erros previsíveis de diretorias. A pior maneira de ajudar uma direção ruim é querer dirigi-la e fazer o seu papel.

. Professores - Em 30 anos, pode-se aprender muito, com quem sabe mais e também com quem sabe menos. Entre os que sabem mais, cito Sérgio Gomes, João Guilherme Vargas Neto e Antônio Rogério Magri – três professores excepcionais, a quem agradeço.

Nessas mais de três décadas, vi muitas boas promessas sindicais frustradas pelos próprios erros e por circunstâncias às vezes impostas pela força bruta. Também, e pra compensar, não conheci nenhuma mediocridade que desse frutos, porque, como canta aquela velha moda de viola, “tudo o que não presta morre por si mesmo”.

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