4/5/2015 - Conjuntura

4/5/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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João Franzin

Os trabalhadores brasileiros acumularam ganhos e avanços nos últimos 12 anos. Segundo o Diap, nos oito anos de Lula foram 12 leis/iniciativas favoráveis aos trabalhadores. No primeiro governo Dilma, o mesmo Diap relacionou 14 iniciativas/leis vantajosas para os trabalhadores. O período também foi de crescimento econômico, mais empregos e vitórias nos acordos coletivos da maioria das categorias profissionais.

Pela primeira vez, uma geração de trabalhadores passou uma década sem saber o que é fome e desemprego e, também, sem conhecer perdas de direitos e de renda. Parte deles também se beneficiou, diretamente ou não, de programas como o Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida – programas de inclusão.

Essa geração, em grande parte jovem, em boa parte desinformada acerca do passado recente do País (inflação galopante, arrocho salarial, repressão, desemprego e ataques a direitos, como nos anos neoliberais), tem dificuldade de conviver com a ideia de perda e tende a não aceitar retrocessos trabalhistas. Essa a principal razão pela qual o projeto da terceirização é amplamente rechaçado na base trabalhadora. Porque, essencialmente, passa a ideia de precarização e de perda.

O debate acerca da terceirização acabou tomando conta do 1º de Maio das Centrais. A Força, ao levar para o palco o deputado Eduardo Cunha, reafirmou, explicitamente, seu apoio ao PL 4.330. Já a CUT, CTB e Intersindical aproveitaram a simbologia da data para desgastar a terceirização. Nessa conjuntura, de disputa sindical e política, questões importantes como o combate ao pacote fiscal e aos juros altos ficaram em segundo plano nos palanques.

No movimento sindical brasileiro, ninguém é hegemônico. Centrais ou grupamentos podem liderar setores. Mas não passam disso. E exatamente por não haver essa hegemonia a tendência é se buscar unidade na diversidade. Mesmo Força e CUT, que se opõem em temas como a terceirização, sabem que uma ou outra sozinha não faz o processo avançar. Por isso, dirigentes metalúrgicos forcistas de São Paulo e sindicalistas do mesmo setor no ABC têm conversado e tentado se entender sobre como melhorar no Senado o projeto da terceirização (agora, PLC 30/15).

As Centrais, todas, também se articulam para ação unitária no Congresso a fim de influir na votação das Medidas Provisórias 664 e 665, do pacote fiscal, que ameaçam direitos trabalhistas e previdenciários. As ações de massa, em Brasília, estão agendadas para os dias 5 e 6 de maio.

Vale observar que, apesar dos discursos antagônicos (a presença da mídia nos eventos estimula bravatas), os dois maiores atos do 1º de Maio, em São Paulo, foram firmes na defesa dos direitos e no combate a ameaças de perdas. Essa disposição das lideranças indica que é viável a retomada da pauta unitária junto ao governo e ao Congresso. Essa unidade ativa é indispensável numa conjuntura de confusão política e retração econômica. Segundo a experiência, quando a classe trabalhadora recua, o setor patronal avança – principalmente seu segmento mais conservador.

Repúdio - Ficou faltando, no 1º de Maio das Centrais, a necessária tomada de posição unitária contra a violência da PM paranaense, a mando do governo do Estado, contra os professores. Até porque o professorado do Paraná estava nas ruas combatendo ataque a direitos. Ainda há tempo, porém.
 

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