Petroleiros seguem em greve, com apoio das Centrais Sindicais. Mídia silencia

• 13/2/2020 - quinta-feira

Petroleiros estão parados desde 1º de fevereiro. Movimento cresce. Segundo o mais recente balanço pelo comando grevista, já são 108 unidades do Sistema Petrobras paralisadas em 13 Estados. Cerca de 20 mil aderiram à paralisação, considerada a mais forte desde de 1995.

O movimento unifica as duas Federações - FUP (Federação Única dos Petroleiros) e FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) - que exigem a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná, previstas para o dia 14, e o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho.


Trabalhadores protestam em frente à Petrobras, RJ, dia 12/2. Foto: Marcelo Caravelas

Em apoio ao movimento, as Centrais Sindicais lançaram nota cobrando a abertura de diálogo pela empresa. Os sindicalistas também criticam a decisão do ministro Ives Gandra Filho, do Tribunal Superior do Trabalho, que engessa o direito de greve.

Embora tenha reconhecido a legalidade da greve, ele impôs condições “severas” ao movimento, ao determinar a manutenção de 90% do efetivo operacional. Determinou ainda o pagamento de pesadas multas a Sindicatos que descumprissem a decisão. Com a manutenção da greve, Gandra   bloqueou as contas de entidades.

Para Adaedson Costa, secretário-geral da FNP, a decisão é inconstitucional e retira do trabalhador o direito à greve. “São mais de mil demissões só na Fafen-PR. Se num País democrático isso não é motivo pra fazer greve, não sei o que seria motivo. Com uma decisão dessa, a gente fica muito indignado”, critica.

Terça (11), representantes dos trabalhadores ingressaram com agravo no TST, pedindo a reconsideração da decisão. Petroleiros e representantes das Centrais continuam em Brasília, articulando a abertura das negociações com a Petrobras.

Os sindicalistas também se reuniram quarta (12) com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, na busca de interlocução.

Deyvid Bacelar, diretor da FUP, informa que os dirigentes correm contra o tempo pra salvar empregos e direitos: “Nosso objetivo é abrir negociação com a empresa. Estamos buscando todos os caminhos possíveis, pois as demissões serão desencadeadas sexta”.

Mídia - Apesar do silêncio da grande imprensa sobre a greve na maior empresa brasileira, os dirigentes avaliam que a tendência do movimento é crescer. “A adesão da categoria é voluntária. Os trabalhadores sabem o que está em jogo”, diz Bacelar.

Ato - Nesta quinta (13), a categoria promove novo protesto no Rio de Janeiro, às 16 horas, com passeata da Cinelândia até a Candelária, Centro.
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