14/4/2015 - Estelionato sindical

14/4/2015 - terça-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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João Franzin

Há muito tempo não havia tanta confusão no sindicalismo, como agora. O pano de fundo da desorientação é o PL 4.330, da terceirização, cujo ponto mais drástico, ou seja, o fim da diferenciação entre atividade-meio e atividade-fim, dividiu o movimento.

A divisão foi gradativa. Num primeiro momento, sob o argumento de que era melhor entregar os anéis do que perder os dedos, as Centrais Força, UGT, Nova Central e CSB atuaram conjuntamente e aceitaram que o deputado Paulinho (ex-presidente da Força Sindical) apresentasse emendas ao Projeto. Dia 8, na votação, na Câmara dos Deputados, três das quatro emendas foram aprovadas.

Ocorre que, por uma lei inexorável da vida (a de que as coisas complicadas tendem a se complicar mais), o cenário se complicou. Na base trabalhadora, a postura ostensiva e midiática de Paulinho passou a ideia de que o deputado havia se rendido ao interesse patronal. A reação, assustada, da base, contaminou direções sindicais, que passaram a combater a negociação do PL 4.330.

Vale chamar atenção, também, para as reações nas redes sociais, especialmente facebook e blogs, onde milita gente mais à esquerda. O espancamento de Paulinho, da Força Sindical e do deputado Eduardo Cunha foi geral, imediato e sistemático. A palavra traição campeou.

Esse caldo de cultura - ou seja, susto na base, desorientação de diretorias, críticas virulentas na rede - geraria consequências. Exemplo disso foi a reorientação da União Geral dos Trabalhadores (UGT), cuja direção deliberou, dia 13, contra o projeto das terceirizações. Hoje, dia 14, a Central surge em grandes jornais com página inteira contra o PL 4.330, em texto no qual seu presidente, Ricardo Patah, anuncia ida ao Congresso Nacional, a fim de negociar melhorias no texto-base votado.

As coisas complicadas também encontram explicação. A frustração com um projeto que pode precarizar o trabalho tem lógica. Observe: nos oito anos de governo Lula e nos primeiros quatro de Dilma foram aprovadas 26 leis e iniciativas benéficas aos trabalhadores. As categorias acumularam ganhos salariais. O sindicalismo mostrou que tem lado e não vacila. Portanto, a ideia de perda desapareceu do horizonte da classe trabalhadora, especialmente dos jovens.

Ninguém duvida que a sociedade anda nervosa. Recente pesquisa do governo, acerca da perda de popularidade da presidente Dilma, indica três fatores: estelionato eleitoral, corrupção política e Petrobras. O principal fator de desgaste é o tal estelionato. Daí não estranha a possibilidade do apoio ao PL 4.330 passar a ideia de “estelionato sindical”. É o que pode estar ocorrendo.

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