6/4/2015 - Há duas ações sindicais

6/4/2015 - segunda-feira

João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br Facebook:
facebook.com/joao.franzin


João Franzin

A semana deve ser marcada por duas ações sindicais importantes. Segunda à tarde, em SP, lançamento de pacto capital e trabalho pelo fortalecimento da indústria; segunda e terça, em Brasília, para evitar a votação, pela Câmara, do PL da terceirização – pelo menos, tentar evitar a aprovação do relatório original.

O evento da segunda (6) – “Coalizão capital-trabalho” – será no Anhembi e deve reunir Força Sindical e UGT, mais outras entidades de trabalhadores; pelo empresariado, Abimaq e Sindimaq, além de outras entidades da indústria de transformação.
As duas questões são urgentes, e graves. No caso da indústria, capital e trabalho buscam uma agenda conjunta de ações e políticas capazes de recolocar o setor industrial no centro da economia – a indústria perde peso no PIB.

Setores sindicais hoje na oposição criticam, não sem razão, descuido do governo Dilma com relação ao parque fabril nacional. Mas valeria uma avaliação específica do Estado de SP, antiga locomotiva nacional, há mais de 20 anos sob governo tucano – período de constante esvaziamento industrial do Estado.

No entanto, para o trabalhador, o desafio mais urgente é regulamentar a terceirização, hoje pendurada no Precedente 331 do TST. Setores mais agressivos do capital viram no vazio legal a chance de dar fachada legal à precarização do trabalho – e bancaram o PL 4.330, de Sandro Mabel.
O PL de Mabel é bomba arrasa-quarteirão, pois busca fazer, ao mesmo tempo, a reforma trabalhista e a sindical. O grande nó, já apontado por sindicalistas de várias entidades, é a necessidade de se diferenciar, na lei, atividade-meio de atividade-fim.

Dia 31, dirigentes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB concentraram esforços junto ao relator Arthur Maia por mudanças em seu texto. E houve. O site da CSB (www.csbbrasil.org.br) traz o texto modificado. Na Força Sindical, o secretário-geral João Carlos Gonçalves (Juruna) diz que a busca de acordo foi saída de bom senso. Na atual correlação de forças (os conservadores são a ampla maioria), em sua opinião, caminhou-se até onde era possível.

Mas CUT e CTB não endossam os pontos pactuados. Por isso, as duas Centrais mantêm convocação para lotar Brasília, dia 7, data indicada de votação do PL. No site da CTB, um banner em destaque é explícito: “Diga não ao PL 4.330. É a extinção da CLT”. Para a CUT, “sem avanços, sem acordo”.
O capital sempre tenta impor suas condições. Na ditadura, utilizava a mão pesada do Estado e do aparato policial. Hoje, o setor conservador do empresariado tenta avançar por meio de leis. O ambiente é favorável, pois o governo está desgastado e o Congresso Nacional ficou mais conservador. No caso da terceirização, há o agravante da desunião das Centrais.

Registro - Seminário do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, dias 11, 12 e 13 de fevereiro, decidiu por uma série de ações em defesa do emprego, dos direitos e fortalecimento da indústria. Dia 14, o Sindicato realiza seminário tripartite, na sede, com trabalho, capital e poder público.

 

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home