Lula manda Carta e conclama CUT à luta pela manutenção de direitos e soberania

9/10/2019 - quarta-feira

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou por carta mensagem aos dois mil delegados do 13º Congresso Nacional da CUT, em Praia Grande, Litoral paulista. O Concut começou segunda e vai até quinta (10). 

Na carta, o ex-presidente alerta para a necessidade de intensificar a luta contra o projeto destrutivo do governo Bolsonaro, que ameaça impor ao País e aos trabalhadores retrocesso histórico sem precedentes. O texto foi lido pelo ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.


O ex-prefeito Haddad leu o texto que defende a luta em defesa da democracia

Lula lembra que a ditadura foi derrotada pela luta social e política, e diz que só a luta democrática derrotará que o projeto bolsonarista, de destruir as organizações sindicais e a legislação trabalhista. 

O histórico líder sindical, preso, sem provas, em Curitiba, reitera a importância do movimento sindical para os avanços no País em anos recentes, e espera que o Congresso da CUT que ele ajudou a fundar aprove um plano de lutas à altura dos graves desafios nacionais. 

“O papel da CUT continua insubstituível na defesa da soberania nacional e no combate à escandalosa submissão do Brasil aos Estados Unidos. Continua insubstituível na luta contra a privatização das nossas maiores e estratégicas empresas públicas e também contra o desmonte criminoso de políticas sociais, indispensáveis para existência digna a milhões brasileiros”, diz Lula. Ele ainda conclama à mobilização contra o desemprego e a miséria que assolam o País.

Confira a íntegra da carta de Lula:

Aos delegados e delegadas, dirigentes da nossa Central, delegados e delegadas internacionais:

Nestes 36 anos de vida e de lutas, a CUT foi participante ativa e tantas vezes decisiva das grandes conquistas sociais econômicas e culturais do povo brasileiro.
O Brasil não teria dado, durante os governos populares, o verdadeiro salto histórico que deu, em termos de crescimento econômico, combate à pobreza e à desigualdade, geração de emprego, distribuição de renda e inclusão social  sem a contribuição mobilizadora da CUT.

Da mesma forma a Central sempre esteve na linha de frente na resistência a toda e qualquer tentativa de ferir a democracia e de confiscar direitos do nosso povo.
Basta lembrar nos anos recentes a sua tenaz oposição ao golpe de Estado que derrubou Dilma, bem como sua permanente mobilização em parceria com outros movimentos sindicais e populares contra a escalada autoritária, antinacional e antipopular que está em curso no Brasil.

Hoje, mais do que nunca, é necessário intensificar a luta e barrar o projeto destrutivo do governo de extrema-direita, que ameaça provocar um retrocesso histórico sem precedentes.

Foi na luta social e política que derrotamos a ditadura e é na luta democrática e transformadora que vamos derrotar o governo Bolsonaro e a tragédia nacional que ele está causando.

O papel da CUT continua insubstituível na defesa da soberania nacional e no combate à escandalosa submissão do Brasil à política imperial e guerreira dos Estados Unidos. Continua insubstituível na luta contra a absurda privatização das nossas maiores e estratégicas empresas públicas e também na luta contra o desmonte criminoso de políticas sociais, indispensáveis para existência digna de dezenas de milhões brasileiros.

Sem falar na luta contra a exploração predatória da Amazônia e a destruição da proteção ambiental, que demoramos tanto pra construir.

E na luta contra o desemprego, a miséria e a fome, que voltaram a assolar o País. A CUT deve continuar liderando a luta contra as tentativas do governo de Bolsonaro de fragilizar e destruir as organizações sindicais e a legislação trabalhista.

Por tudo isso, este 13º Congresso é importante não só pra CUT e a classe trabalhadora, mas pro Brasil como um todo.

Tenho certeza de que vocês tomarão as decisões necessárias para atualizar e fortalecer a organização da Central e para traçar um plano de lutas à altura dos graves desafios nacionais.
Tenho certeza de que a CUT continuará prestando a solidariedade ativa aos trabalhadores da América do Sul, da América Latina e do mundo inteiro, ajudando a consolidar o sindicalismo internacional democrático e combativo, capaz de enfrentar com êxito a ofensiva do capital pra precarizar o mundo do trabalho.

Companheiros e companheiras: Gostaria muito de estar aí junto com vocês, como sempre estive. Mas vocês sabem que política e moralmente estou aí sim, abraçado a cada companheira e cada companheiro.

Daqui onde estou, sem barganhar a minha dignidade, muito mais livre do que meus algozes, que continuam presos às suas mentiras, envio as mulheres e aos homens que fazem da CUT esse admirável instrumento de luta do povo brasileiro a minha calorosa saudação.

Luiz Inácio Lula da Silva


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