Ato em São Paulo critica Bolsonaro e declara apoio a jornalista do The Intercept Brasil

Estudantes, jornalistas e políticos realizaram na noite da última segunda-feira o Ato em Defesa da Liberdade de Imprensa, na Faculdade de Direito São Francisco, no centro de São Paulo. Na ocasião, os manifestantes teceram críticas aos rumos da operação Lava-Jato, ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e externaram apoio fundador do site The Intercept, o jornalista Glenn Greenwald. 

O protesto, organizado pelo Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, OAB, FENAJ, ABI e Instituto Vladimir Herzog, centros acadêmicos da USP Lupe Cotrin e 11 de Agosto e centro Acadêmico Vladmir Herzog, da Faculdade Cásper Líbero, contou com a presença de jornalistas como Luiz Nassif, Reinaldo Azevedo, Leonardo Sakamoto e Marcelo Rubens Paiva. 

O salão nobre ficou lotado, com boa parte dos presentes carregando faixas e bandeiras com a inscrição “Lula Livre” e contra a operação Lava Jato. A todo o momento palavras de ordem e cantos pela liberdade de expressão eram entoados. 

O jornalista Juca Kfouri, um dos responsáveis em conduzir o evento, fez duras críticas ao presidente e ao ministro Sérgio Moro. “É preciso deixar muito claro que jornalista não é juiz, e que juiz de direito e procurador de Justiça não podem vazar notícias de seus investigados”. 

Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, foi na mesma linha: “Bolsonaro está atentando contra a Constituição quando diz que um jornalista, por publicar algo, deveria ir para a cadeia”. 

Em vários momentos, ao discursar, Glenn Greenwald demonstrou agradecimento aos brasileiros e afirmou que, apesar de os governistas o tratarem como estrangeiro, para ele, o Brasil não é um país estrangeiro". 

Desde o início do vazamento das mensagens do The Intercept Brasil o jornalista norte-americano vem sofrendo ataques, assim como seus apoiadores. Glenn lembrou que o ministro da Justiça o classifica como "aliado do hacker", tentando criminalizar seu trabalho jornalístico. No entanto, o jornalista afirmou que não vai se intimidar, e que mesmo com o terror que o presidente Jair Bolsonaro e aliados querem impor às pessoas, o que vai predominar no país é “a energia de amor, solidariedade, empatia e diversidade”. 

Glenn ressaltou ainda a atitude da ex-candidata à vice-presidência da República, Manuela D’Ávila (PCdoB), que o colocou em contato com a fonte dos arquivos da Vaza Jato. “Sem ela tudo seria impossível.” 

Também estiveram presentes o ex-prefeito Fernando Haddad, ex-ministro Aloizio Mercadante, ex-ministro Celso Lafer, o vereador Eduardo Suplicy (PT), a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL) e o escritor angolano Valter Hugo Mãe, dentre outros líderes políticos e representantes de movimentos sociais. 

Por Ilda Rocha, Focas no Front

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