Lógica da proteção ao patrimônio é responsável pela violência dos vigilantes

• 5/9/2019 - quinta-feira

Nos últimos dias, os brasileiros se chocaram com as imagens extremamente fortes de um vídeo postado nas redes sociais de seguranças torturando um adolescente de 17 anos com um chicote feito de fios elétricos. O jovem, que estava nu e amordaçado, é acusado de ter roubado quatro barras de chocolate de um supermercado.

As agressões aconteceram cerca de um mês atrás. O vídeo, feito com celular por  um dos vigilantes, só foi divulgado agora e será uma das principais provas de um  inquérito  policial aberto pelo 80º  Distrito Policial, da Vila Joaniza, zona sul de São Paulo.


Jovem de 17 anos foi chicoteado por furtar barra de chocolate

Os vigilantes têm histórico criminal. A justiça decretou a prisão deles por que não se apresentaram à polícia para justificar a ação. São considerados foragidos.

Lógica - “Infelizmente,  este não é um caso isolado no comércio”, lamenta o presidente da Confederação Nacional de Vigilantes e Prestadores de Serviço, José Boaventura Santos. Ele explica: “Por trás das ações desses maus trabalhadores, está a lógica das empresas que é de priorizar somente a proteção das mercadorias. Com isso os encarregados da segurança se sentem à vontade para ultrapassar limites”.

Boaventura relembra que fatos como esse, que se deu em um supermercado, eram muito comuns também em bancos. “A situação só mudou depois que fizemos uma exaustiva campanha de convencimento junto aos estabelecimentos bancários”, diz.

O sindicalista entende que é urgente mudar a mentalidade dos empresários do comércio para evitar que situações como essa se tornem rotina. “As empresas de vigilância também têm que cumprir seu papel e investir mais em treinamento e preparo dos seus colaboradores. Ali era o caso dos seguranças apreenderem o jovem e encaminhá-lo à polícia, que, não vamos nos esquecer, também não está autorizada a praticar qualquer tipo de violência”, completa Boaventura.  

MAIS - Acesse http://cntv.org.br e se informe.

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