• 26/7/2019 - Dois pontos de vista

• 26/7/2019 - sexta-feira


João Guilherme Vargas Netto
é consultor sindical e membro do Diap
(Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar).
E-mail:
joguvane@uol.com.br

Vistos a partir do Congresso Nacional são tantos os temas graves, que um dirigente sindical experiente tem justificadas dúvidas a respeito de como enfrentá-los todos e com eficácia na abertura dos trabalhos legislativos.

Há a segunda votação na Câmara da “deforma” previdenciária, as duas votações no Senado, a MP 881 que é um caldeirão da bruxa, a discussão sobre a política de valorização do salário mínimo (que dorme em berço esplêndido) e vários outros temas que interessam a diversas categorias e cujas proposições são, em geral, lesivas aos trabalhadores e à sua representação.

Mesmo o cronograma determinado pelas Centrais Sindicais para as atividades de agosto pode não contemplar todos os encaminhamentos porque há sempre lugar para o inesperado e o terreno de Brasília é muito acidentado, passe a metáfora.

Mas como estão as coisas vistas da planície, ou seja, vistas ao se privilegiar o dia a dia dos trabalhadores e a iniciativa dos sindicatos?

Predomina o travamento da economia com a criação pífia de empregos ou mesmo sua destruição (como na indústria) e a perda de salários. O endividamento das famílias dos trabalhadores é sobrecarregado pela escassez do crédito e avidez dos juros e nem mesmo o refrigério das contas do FGTS pode resolver este problema.

Há um clima de desalento e de desconfiança típico da conjuntura travada e sem perspectiva de retomada.

As dificuldades para a ação sindical são inúmeras, começam com a escassez de recursos e se prolongam pela compreensível desconfiança das bases em relação às direções; o descrédito generalizado da política não deixa de contaminar as relações dos sindicatos com as bases dos trabalhadores.

Ao cumprir o cronograma determinado, as Centrais Sindicais e todas as direções devem se manter unidas e enfrentar o duplo desafio: agir com inteligência no Congresso Nacional e com perseverança no dia a dia dos trabalhadores, preparando desde já as campanhas salariais próximas.

É imprescindível a permanente presença sindical na base junto com os trabalhadores, mesmo quando o dirigente sindical tem que ir para Brasília.
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