• 24/4/2019 - Reforma da Previdência é arapuca para os idosos

• 24/4/2019 - quarta-feira
Walter dos Santos é presidente
do Sincomerciários de Guarulhos.

O governo é como o vendedor que oferece um terreno no meio do nada e quer convencer as pessoas de que morar lá é bom, apesar dele não fazer isso com a família dele. Assim é a reforma da Previdência, gastam milhões para nos convencer de que esse saco de maldades é bom, mas, os militares, que são grande parte do governo, não vão entrar na mudança.

Há preocupação com uma vida digna de idosos pobres ou a questão é economizar uma grana para pagar juros absurdos aos especuladores? Evidentemente que o objetivo é ter mais grana para dar ao mercado.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, com milhões de trabalhadores em extrema vulnerabilidade social. Apesar disso, um sistema de previdência solidário, que tira dos que têm mais para entregar aos que têm menos, é ultrapassado para o governo Bolsonaro. Com isso, quer o fim do atual sistema de repartição (em que os da ativa contribuem para bancar os aposentados), defendendo o de capitalização (em que cada um produz uma poupança individual, com pouca ou nenhuma contribuição ao sistema coletivo).

A Constituição prevê que o sistema de seguridade seja financiado por empregados e empregadores e por tributos e contribuições. Se há desequilíbrio, o governo deveria incentivar a economia a girar, para arrecadar mais; cobrar mais impostos de setores bilionários, como o bancário; acabar com a DRU (Desvinculação das Receitas da União), que permite retirar 30% do orçamento da Seguridade Social e gastar com outras coisas; e, também, cobrar imposto de renda sobre o lucro (o Brasil é um dos únicos países do mundo que não faz isso). Mas, é mais fácil bater de frente com os trabalhadores e idosos em situação de miséria do que enfrentar os bancos e o mercado.

Uma Reforma da Previdência é necessária, pois as pessoas estão vivendo mais, mas não é certo criar arapucas financeiras, como a capitalização, que vai fazer com que quase todos os brasileiros aposentados ganhem, no máximo, um salário mínimo, ou, pior, sem condições financeiras, recebam o BPC - Benefício de Prestação Continuada, também conhecido por LOAS, que a proposta sugere que pode ser, inclusive, até a metade de um salário mínimo.

Entre outras maldades, o governo quer tirar a obrigação de reajustar anualmente as atuais aposentadorias; quer que o tempo mínimo de contribuição passe de 15 para 20 anos; quer passar a pensão por morte para 60% do valor do benefício, acrescida de 10% por dependente até 100%, permitindo pensões de menos de um salário mínimo, etc.

Vamos lutar contra esses ataques, conversar com cada comerciário, em cada local de trabalho. Vamos pressionar os deputados e senadores nas redes sociais e no Congresso. Não podemos aceitar passivamente que a nossa velhice seja entregue aos especuladores internacionais.
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