• 18/4/2019 - Posições firmes

• 18/4/2019 - quinta-feira


João Guilherme Vargas Netto
é consultor sindical e membro do Diap
(Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar).
E-mail:
joguvane@uol.com.br

À margem do puramente espetaculoso, quatro assuntos graves devem ocupar nossa atenção e orientar nossas ações. Os três primeiros são expressões diretas da luta de classes e o quarto é institucional, mas nem por isso menos grave.

O primeiro é a continuidade da luta contra a deforma da Previdência, cujas peripécias na Câmara dos Deputados têm revelado a dificuldade de seus proponentes em fazer avançá-la. Embora haja um clima de barata-voa, não devemos ter ilusões e baixar a guarda, porque o deus mercado sabe fazer milagres e mágicas.

Devemos persistir com as várias iniciativas contra a deforma previdenciária do governo, em defesa do destravamento da economia e de uma eficiente reforma tributária.

O outro é a crise entre a Petrobras, o governo, os rentistas, o agronegócio e os caminhoneiros. Tendo como pano de fundo a recessão na economia (que é real, embora ainda não traduzida em números), esta crise tem todos os ingredientes para se prolongar, desagradando tanto ao mercado quanto aos caminhoneiros.

Enquanto a Petrobras anuncia um reajuste do preço do diesel um pouco menor do que aquele que foi proibido, e o governo anuncia um pacote mal embrulhado de “benefícios” aos trabalhadores, todo mundo espera uma nova motivação para o agravamento - mesmo que não seja em curto prazo uma nova greve geral dos autônomos, nem o avanço da privatização da Petrobras, pretendida pelo mercado.

Outro assunto, muito grave, é a recusa do governo em garantir aumento real para o salário mínimo. Esta recusa é mal vista por muitas lideranças que apoiam o presidente, mas deve ser objeto de confrontação redobrada das direções sindicais e dos parlamentares de oposição.

Além de exigir aumento real, devemos trabalhar com unidade no Congresso e na sociedade, para a aprovação da lei de valorização do salário mínimo. É como a que vigorava e que produziu efeitos altamente positivos para os trabalhadores, para os aposentados, para a maioria e para a economia.

E, por último, vem a crise entre os poderes judiciários e no STF. O apoio que inúmeras entidades (entre elas, com destaque, as Centrais Sindicais) deram ao Supremo como guardião da Constituição, dos direitos democráticos e da liberdade de expressão não pode nos eximir hoje de criticar de maneira formal e incisiva o que está acontecendo.

Os posicionamentos públicos de juízes e procuradores, que se engalfinham em uma disputa que, no mínimo uma disputa de egos, é prejudicial ao respeito devido às instituições e ajuda os bolsonaristas mais aguerridos.

Em cada um dos quatro graves assuntos devemos ter posições firmes, unitárias, democráticas e de defesa dos interesses de milhões de trabalhadores e da retomada do desenvolvimento.
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