• 26/2/2019 - Mulheres na trincheira!

• 26/2/2019 - terça-feira


João Franzin
é jornalista
e diretor da Agência
de Comunicação Sindical.
E-mail:
franzin@agenciasindical.com.br

Fui amigo de Therezinha Zerbini, inteligente, valente e incansável. A grande dama da Anistia acreditava na força feminina. E dizia que um movimento só nasce forte se tiver, desde o começo, endosso e participação das mulheres.

Evoco a memória da brava nacionalista para, no que me cabe, chamar as mulheres ao protagonismo da luta mais importante que nos desafia hoje no Brasil - ou seja, a reforma da Previdência.

A reforma de Bolsonaro aperta o garrote neoliberal na mulher, no idoso, no deficiente e também no jovem. A prevalecer o modelo levado ao Congresso, trabalharemos mais, contribuiremos mais e ganharemos menos. Futuro trabalhador que não estiver no regime de capitalização será preterido na busca do emprego, pois o patrão contratará o mais barato, o de Carteira falsamente verde e amarela.

Mas por que penaliza mais a mulher? Por várias razões. Primeira é o aumento da idade mínima e, portanto, do tempo de contribuição, sem garantia de que se aposentará. No caso do professorado, há uma maldade adicional, que é a mesma idade (60 anos) para homem e mulher.

O requinte da maldade contra a mulher está na grave restrição de acesso ao benefício para as pensionistas, maioria pobre. Grande parte das viúvas acumula o benefício do companheiro falecido e o seu ganho, quase sempre salário mínimo. Com a reforma, ela receberá o valor maior - em média, R$ 1.200/1.300,00. De todo modo, o corte vai lhe tirar em torno de 40% da renda, na melhor das hipóteses.

Não se iluda a profissional de classe média (advogada, médica, engenheira etc.), com salário mais alentado. O plano prevê aumento na faixa de contribuição, poupando, no entanto, a taxa cabível ao empregador - se for servidora pública, a facada do desconto tende a ser ainda mais profunda.

O que fazer? 1) Informar-se corretamente sobre os prejuízos anunciados; 2) Procurar seu Sindicato ou órgão de classe, a fim de se orientar ou se proteger; 3) Conversar com seu companheiro sobre a questão, a fim de ganhar o apoio masculino; 4) Orientar companheiras de trabalho e outras mulheres de sua relação acerca das ameaças; 5) Se for sindicalista, cuidar para que as redes sociais e materiais de comunicação da entidade repercutam as maldades da reforma.

8 de Março - A cada ano, o Dia Internacional da Mulher é marcado por múltiplas atividades. Minha sugestão é que este ano ele se concentre na reforma da Previdência e organize as cabeças, com informações e dados, para resistir, lutar e denunciar as agressões.

Por fim, lembro que, na Constituição, a Seguridade é pilar da Ordem Social. Essa Ordem, se enfraquecida, dará espaço à desordem social. Numa conjuntura de desagregação social, a principal vítima será, mais uma vez, a mulher.

Dia 8 de Março, dia de resistência e ação!

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home