14/2/2019 - Boas maneiras?

• 14/2/2019 - quinta-feira


João Guilherme Vargas Netto
é consultor sindical e membro do Diap
(Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar).
E-mail:
joguvane@uol.com.br

Uma regra dos manuais de boas maneiras manda que se responda sempre uma carta recebida.

O presidente Bolsonaro não tendo respondido, até hoje, a carta que lhe foi enviada, no primeiro dia de seu governo, pelas seis Centrais Sindicais reconhecidas incorre em violação desta regra mundana de bom tom, a menos que os serviços burocráticos da presidência e a própria internação hospitalar do presidente tenham dificultado o gesto de cortesia.

As Centrais Sindicais “respeitosamente” apresentaram-se ao novo governante, afirmando que “os trabalhadores, representados pelos seus Sindicatos, Federações, Confederações e Centrais Sindicais não abdicarão do direito constitucional e democrático de defender e lutar por um programa que contemple a geração de trabalho decente, a valorização do salário mínimo e o fortalecimento das negociações coletivas. Esta condição nos obriga a exercer a representação plena dos trabalhadores junto ao novo Gabinete, aos vossos ministros, assim como na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, nos fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços que possuem composição tripartite nos quais estejam em discussão assuntos que se referem ao mundo do trabalho e emprego”.

Na carta, até hoje sem resposta, os dirigentes esperam “que todas as medidas que atinjam os trabalhadores passem por um amplo processo de discussão e negociação” compatível “com a construção de um País mais justo, democrático, moderno e desenvolvido”.

O Fórum Sindical dos Trabalhadores em reunião recente determinou também a “elaboração de documento das Confederações que será entregue ao presidente”.

Antes de obter uma resposta presidencial à carta das Centrais, alguns dirigentes de Sindicatos, de uma Central e de aposentados reuniram-se com representantes do Executivo para tratar de assuntos específicos de seus interesses.

No âmbito do Poder Legislativo, algo semelhante aconteceu entre o presidente da Câmara e o ministro da Economia e dirigentes de uma Central tratando do tema da pretendida deforma previdenciária.

Cabe analisar com seriedade em que medida todas estas iniciativas (mesmo corretamente motivadas e afirmando posições em defesa dos trabalhadores e dos Sindicatos) desconhecem o até agora descaso presidencial, alimentam versões conflitantes e divisionistas e não contribuem para o êxito da plenária do dia 20 de fevereiro.

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